Sábado (18.08.18) no Festival de Cinema de Gramado 2018

Festival de Cinema de Gramado 2018 - Foto Edson Vara -PressPhoto
Festival de Cinema de Gramado 2018 – Foto Edson Vara -PressPhoto

Festival de Cinema de Gramado

Atores Adriana Esteves e Otávio Müller chegam em Gramado para exibição de Benzinho, Troféu Eduardo Abelin reconhece talento de Carlos Saldanha, animador de “A Era do Gelo”, programação de filmes para sábado nas Mostras Competitivas, longa paraguaio sobre envelhecimento e universo LGBT abre competição internacional, curtas gaúchos levam diversidade às sessões vespertinas e Festival homenageia Canal Brasil pelos 20 anos. Confira:

Sábado no Festival

17h – Debate Mostra curtas gaúchos
:: Sala de Debates – Hotel Serra Azul

18h – Mostras competitivas (sessão com legenda descritiva) no Palácio dos Festivais
:: CMB | “Um filme de baixo orçamento”, de Paulo Leierer
:: LME | “Las Herederas”, de Marcelo Martinessi
TROFÉU EDUARDO ABELIN | CARLOS SALDANHA
:: CMB | Guaxuma, de Nara Normande
:: LMB | Benzinho, de Gustavo Pizzi

Famosos

Quem chega neste sábado em Gramado são :
:: Adriana Esteves (Benzinho – atriz)
:: Otávio Müller (ator – Benzinho)
:: Marina Meliande (Mormaço – roteiro e montagem)
:: Felipe Bragança (Mormaço – roteiro)
:: Leonardo Mecchi (Mormaço – produção executiva)
:: Edson Secco (Mormaço – som)

Troféu Eduardo Abelin

A noite de sábado (18.08.18), no 46º Festival de Cinema de Gramado será dedicada a homenagear um mestre da animação brasileira cuja carreira inclui grandes sucessos de bilheteria no mercado internacional.

Nascido no Rio de Janeiro e morador de Nova York desde os anos 90, Carlos Saldanha é um dos principais nomes da Blue Sky Studios, responsável por animações como “A Era do Gelo”, “Robôs”, “Rio” e “O touro Ferdinando”, que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação em 2018. A obra é dirigida por Carlos Saldanha, que exerceu a mesma função em “Rio” (2011) – filme que ele criou para ser uma carta de amor para sua cidade natal e que se tornou um sucesso mundial. Na trilogia de “A Era do Gelo”, ele dividiu a direção do primeiro filme e depois assumiu integralmente a condução das duas sequências, sendo que a última (“A Era do Gelo 3”) se tornou um dos maiores filmes de animação de todos os tempos, arrecadando quase 900 milhões de dólares em todo o mundo.

Na opinião de Otto Guerra, animador gaúcho que recebeu a honraria no ano passado, Saldanha é um exemplo de que sucesso comercial pode conviver perfeitamente com criações de qualidade. “Ele levou o toque genial e poético da alma brasileira, essa que esbanja também humor e irreverência para a maior indústria de entretenimento do mundo”, sublinha. A homenagem acontece no intervalo da sessão das mostras competitivas, no Palácio do Festival.

Envelhecimento e universo LGBT
Premiado e aplaudido em importantes festivais ao redor do mundo – entre eles, o de Berlim, onde concorreu ao Urso de Ouro e foi eleito pela crítica como melhor filme –, o longa-metragem paraguaio “Las Herederas” abre a competição internacional do 46º Festival de Cinema de Gramado no sábado (18.08.18).

Além da trajetória exitosa, a expectativa sobre o filme (que é coproduzido por Brasil, Uruguai, Alemanha e França) também se dá pela abordagem da vivência LGBT na terceira idade: Chela e Chiquita vivem juntas há 30 anos, e ao perceberem que o dinheiro herdado de família abastada está acabando, começam a vender seus bens. “Las Herederas” é a estreia de Marcelo Martinessi na direção, o que confere ainda maior curiosidade à obra.

A sessão de “Las Herederas” inicia às 18h, e será precedida pela primeira exibição da mostra de curtas brasileiros: “Um filme de baixo orçamento”, de Paulo Leierer. A noite no Palácio dos Festivais ainda terá outro curta, “Guaxuma”, de Nara Normande e o segundo longa brasileiro em competição, “Benzinho”, de Gustavo Pizzi. O diretor retorna à Gramado depois da consagração de “Riscado”, em 2011, quando levou quatro Kikitos (melhor diretor, roteiro, atriz para Karine Teles e trilha musical).

Os longas-metragens em competição são reprisados sempre na manhã seguinte à sua exibição, no Teatro Elisabeth Rosenfeld, em sessões com entrada franca.

Curtas gaúchos
Já na tarde de sábado (18.08.18) a mostra de curtas gaúchos no 46º Festival de Cinema de Gramado. Ao longo do final de semana, 20 filmes serão projetados em duas maratonas nas tardes de sábado e domingo, ambas com entrada franca. A premiação, com entrega do troféu Assembleia Legislativa, ocorre no domingo de noite.

A comissão de seleção destaca o “espírito do tempo” contido nas produções. “É flagrante a quantidade e a qualidade dos filmes de realizadoras mulheres, ou de temática de gênero”, comemoram. Como forma de reconhecimento ao talento feminino, a comissão decidiu colocar duas produções dirigidas por mulheres e que abordam a temática feminista na abertura e no fechamento da mostra – respectivamente “Um corpo feminino”, de Thaís Fernandes (hoje) e “Mulher Ltda.”, de Taísa Ennes (domingo).

Mas o panorama é muito mais amplo, salienta o grupo – formado por Denise Marchi, Pamela Hauber, Juliana Costa, Rogério Rodrigues e Vicente Romano. Nas produções, aparecem “temáticas políticas, sociais e individuais” retratados tanto pela ficção como pelo documentário ou ainda pelos traços da animação. “Exibidos lado a lado, os filmes revelam inquietações éticas, estéticas e políticas da contemporaneidade”, comemora a comissão.

Houve a preocupação em ampliar espaço para produções de fora de Porto Alegre, com obras vindas de Encantado, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Santa Maria, Pelotas e Caxias, formando um “expressivo retrato da produção gaúcha realizada no último ano”, completam os responsáveis pela seleção.

Sessão nº 1 (sábado)
:: “Um corpo feminino”, de Thaís Fernandes
:: “Entre sós”, de Caetano Salerno
:: “Maças em fogo”, de Bruno de Oliveira
:: “O comedor de sementes”, de Victoria Farina
:: “Abismo”, de Lucas Reis
:: “Movimento à margem”, de Lícia Arosteguy
:: “Subtexto”, de Cristian Beltrán
:: “Vinil”, de Catherine Silveira de Vargas e Valentina Peroni Freire Barata
:: “Sem abrigo”, de Leonardo Remor
:: “Grito”, de Luiz Alberto Cassol
:: “À Sombra”, de Felipe Iesbick

Festival de Gramado homenageia

Na noite de sábado (18.08.18), o 46º Festival de Cinema de Gramado fará uma homenagem especial ao Canal Brasil, que completa 20 anos de existência no dia 18 de setembro. O diretor geral da emissora, Paulo Mendonça, vai receber uma placa com o agradecimento do evento no intervalo da sessão noturna, no Palácio dos Festivais.

Além de ser o principal difusor de filmes brasileiros na televisão (que ocupam 70% da grade), o canal se destaca no fomento da produção audiovisual, com o Prêmio Canal Brasil de Curtas, que em Gramado, entrega R$ 15 mil ao melhor curta da mostra brasileira eleito por júri próprio. Criado em 1998, o prêmio já distribuiu R$ 2,5 milhões – sem contar espaço de exibição, garantido a todos os vencedores do circuito, que inclui, ainda outros 11 festivais nacionais. Os vencedores então se enfrentam no Grande Prêmio Canal Brasil, que entrega R$ 50 mil.

O Canal Brasil também fará a já tradicional transmissão ao vivo da cerimônia de premiação, que acontece no sábado, dia 25. A apresentação será de Simone Zuccolotto, os comentários de Roger Lerina e Luiz Zanin e a repórter Maria Clara Senra acompanhará a chegada dos convidados direto do tapete vermelho. A cobertura diária do 46º Festival de Cinema de Gramado pode ser acompanhada nos boletins diários do “Cinejornal”.

Frio na barriga

A primeira noite do 46º Festival de Cinema de Gramado, na sexta-feira (17.08.18), revelou a ansiedade mesmo de experimentados diretores de cinema diante da primeira exibição pública de seus filmes. Em 2018, todos os longas-metragens das mostras competitivas em Gramado são inéditos no Brasil.

Com mais de 50 anos de carreira e 24 filmes no currículo, Cacá Diegues se disse emocionado por passar seu “O Grande Circo Místico” em première nacional no festival: “Gramado está na história do cinema brasileiro, merece nosso respeito e atenção por ter revelado grandes filmes e resistido mesmo em períodos difíceis. Estou muito feliz e honrado”, revelou.

Já André Ristum, diretor de “A voz do silêncio”, confessou certo nervosismo. “É meu terceiro filme em Gramado, mas é o primeiro que lanço nacionalmente aqui. Também nunca havia estado na primeira noite”, completou.

“A voz do silêncio” foi o primeiro dos nove longas nacionais em competição (O Grande Circo Místico foi exibido fora de concurso). Também há 5 longas estrangeiros disputando os Kikitos e os curtas brasileiros e gaúchos. Ao todo, são 48 produções nas mostras competitivas.

Abertura oficial

Antes das exibições noturnas, que abriram as portas do Palácio dos Festivais ao público cinéfilo presente no evento, a tradicional apresentação da Orquestra Sinfônica de Gramado interpretando temas clássicos do cinema marcou a abertura oficial do evento, na Rua Coberta.

O evento que reúne o melhor da produção do audiovisual brasileira, gaúcha e latina, começou mostrando uma das marcas desta edição: a inclusão. Considerado o Festival mais inclusivo da história, o protocolo foi aberto por Carilissa Dall’ Alba, do movimento “Legenda para quem não ouve mas se emociona”, que reforçou a importância de políticas e iniciativas inclusivas para aproximar o cinema de pessoas com deficiência.

O secretário de Cultura do Rio Grande do Sul, Victor Hugo, deu sequência à cerimônia destacando a participação da Itália como país homenageado representado nesta tarde pelo embaixador Antonio Bernardini.

“Nós italianos amamos muito o cinema. Sou um apaixonado por cinema, por isso esse convite foi muito bem-vindo. Fiquei deslumbrado com a história do Festival de Cinema de Gramado”, vibrou o embaixador que ainda aproveitou a ocasião para anunciar um acordo de coprodução entre os dois países – notícia vinda “diretamente de Roma”.

Lembrando o número de filmes inscritos e selecionados, o presidente da Gramadotur, Edson Néspolo levantou mais uma vez a bandeira da inclusão destacando o esforço de possibilitar recursos de acessibilidade em 12 filmes na programação deste ano: “Estamos nesta luta por mais inclusão, não fazemos mais que a nossa obrigação”. Ele ainda destacou “os visionários” que em 1973 criaram o primeiro Festival de Cinema de Gramado tornando a cidade um dos principais destinos turísticos do país. O prefeito de Gramado, João Alfredo de Castilhos Bertolucci – Fedoca, também participou da cerimônia.