Feira Fimma Brasil 2017 : arquiteto comenta as tecnologias e inovações das novas gerações de mobiliários

Estão em alta criações assinadas e exclusivas, com design, funcionalidade e muito estilo. A rápida evolução no mercado moveleiro aponta para inovações em dobradiças, passando pelos cabideiros e até nas portas, que, se só faltava falar, agora falam.

A marcenaria do futuro já traz para os lares móveis personalizados confeccionados em processos robotizados, que fazem cálculos automáticos das chapas, alinhando cada encaixe milimetricamente, furações e colagens perfeitas, tudo controlado por computador.

Até aí, o consumidor final talvez nem se interesse pelos processos avançados pelos quais passam seus móveis e só querem mesmo vê-los instalados no prazo certo. Mas essa evolução traz para dentro dos lares, pelo menos, dois fatores que pesam na hora da contratação do serviço: a qualidade e inovações tecnológicas que fazem a diferença.

PORTAS – Quanto menores vão ficando os apartamentos, o que já é uma tendência, os dormitórios vão perdendo espaço, e tem virado até um padrão o tradicional layout que combina a cama e o armário um de frente ao outro. E por mais apertado que fique, ninguém quer perder a comodidade de ter uma TV no quarto. “Para resolver essa equação, a TV foi parar dentro da porta de correr do armário do guarda-roupa – embutida entre os vidros”, destaca o arquiteto Glaucio Gonçalves. Ele aponta um detalhe importante: “Tanto o vidro quanto o espelho não impedem a ação do controle remoto, e a TV pode ser qualquer uma, desde que seja fina, no entanto, a estrutura que irá suportá-la deve ser resistente.” Já a fiação fica toda dentro do armário.

Há modelos, inclusive, nos quais a TV só é notada quando está ligada – uma solução prática e bem funcional para apartamentos pequenos, mas ainda ao alcance de poucos, pois encarece o orçamento do mobiliário sob medida. “Essas inovações tecnológicas levam alguns anos para serem comercializadas a preços acessíveis, mas não vai demorar muito para se tornar um item comum de se ver nos lares brasileiros’, aposta o arquiteto. Aliás, para quem já pode se dar a esse luxo, elas estão presentes nas cozinhas também.

VIDROS – E já que estamos falando de vidros, vamos aproveitar para explorar as tendências para o mobiliário. Para cada item da decoração, é preciso pensar sempre no conjunto para harmonizar as cores. Começando pelos transparentes, eles são muito aplicados em closeds, pois pode ficar fechado, mas à mostra.

“Se for utilizar vidros espelhados ou espelhos em portas ou divisórias, evite usar esse tipo de vidro nos móveis, pois isso não causará um efeito bonito e pode deixar o ambiente carregado”, explica o arquiteto Glaucio Gonçalves. O ideal, segundo o especialista, é escolher um ou dois móveis para fazer essa aplicação, deixando a decoração delicada e sofisticada, além de dar uma sensação de amplitude.

VIDROS, CORES E TENDÊNCIAS – E já que estamos falando de vidros, vamos aproveitar para falar das cores que estarão em alta neste ano. ”A cada temporada, novas tendência vão surgindo, mas além de dar essa consultoria e destacar o que está na moda, é muito importante captar o desejo dos clientes”, alerta o arquiteto Glaucio Gonçalves.

Além do tradicional branco leitoso, que deixa o ambiente clean e nunca cai de moda, uma forte tendência tem sido a aplicação do reflecta – muito usado pelos arquitetos e designers de interiores em seus projetos, e uma de suas vantagens é que ele pode ser utilizado em todos os ambientes da casa, por exemplo, em portas de armários e guarda-roupas, gaveteiros e divisórias.

A superfície de todos os vidros reflecta são espelhadas, refletem o ambiente conforme a incidência da luz, mas ainda tem uma transparência e permite enxergar o que há dentro. Mas o arquiteto ressalta que “mesmo tendo essa característica refletora, esse tipo de vidro não oferece a função de espelho, pois não dá a sensação de profundidade”.

Entre as cores do reflecta, destacam-se o bronze – muito utilizado na decoração de interiores, trazendo requinte aos móveis e a ambientes como sala, quarto ou cozinha; o champagne – que dá uma boa luminosidade ao móvel, além de uma dose de sofisticação; o fumê – que oferece suavidade e harmonização com madeiras claras e escuras; e o prata/cinza – que é bastante espelhado, e requer um olhar mais cuidadoso para aplica-lo na decoração, pois é mais difícil de combinar.

SENSORES – A evolução também trouxe sensores para dentro dos armários, e a aposta é instalar fitas de LED no cabideiro, deixando o interior dos armários iluminados com a simples abertura das portas, proporcionando conforto visual na escolha do traje, para procurar objetos guardados, além de trazer mais funcionalidade para os móveis.

PUXADORES – Entre os fatores que pesam na escolha dos puxadores de armários e gavetas, os principais são o design e tipo de acabamento. “Na hora da escolha, procure levar em consideração também onde será aplicado esse acessório, pois a estética é fundamental na harmonização da decoração”, alerta o arquiteto Glaucio Gonçalves. Por exemplo, nos dormitórios, o ideal são alças longas para a abertura das portas, que são bem maiores. “Em geral, os arquitetos estão bem antenados com as tendências e podem dar boas ideias”, diz. Para as cozinhas, os modelos seguem outro padrão bem diferente – escolha puxadores com formas mais retas, lisos e sem frisos, pois facilita a limpeza. E fique atento à “pegada”, que tem de ser fácil, pois o abre-e-fecha de portas e gavetas na cozinha é intenso e requer funcionalidade. Já para salas e banheiros, a quantidade de puxadores é menor, e dá para investir em modelos mais estilosos e diferentes, e aí o gosto varia de acordo com o estilo do cliente.

MADEIRA – A escolha da madeira depende do que o cliente deseja e quanto quer investir. Para armários que vão suportar mais peso, por exemplo, a mais indicada é de MDF – Fibra de Média Densidade –, que vem ganhando a preferência do mercado nacional; porém, a desvantagem é que tem baixa resistência à água. “Por ser um material pré-fabricado, as placas já vêm revestidas, o que agiliza na fabricação e barateia a mão de obra, ficando mais em conta para o cliente”, explica o arquiteto. Já a madeira maciça, ou de demolição – pranchas de madeira natural –, pode ser tratada e envernizada, é um dos materiais mais resistentes ao tempo, mas é o mais caro.

CORES – Armários coloridos deixam o ambiente bem mais alegre, mas é preciso tomar cuidado para que o resultado final não deixe os ambientes cansativos. A recomendação do arquiteto Glaucio Gonçalves é usar cores mais vibrantes, como vermelho, laranja e amarelo, em detalhes, como a frente de armários, que fica fácil de trocar, e de forma que tragam equilíbrio para a harmonização de cores na decoração. Para os conservadores, a dica é apostar em cores clássicas, como o branco, bege e marrom escuro. A escolha das cores tem de estar alinhada ao estilo e gosto pessoal dos clientes, sempre!

Em geral, quando o cliente vai direto ao marceneiro, traz ideias que ainda precisam ser trabalhadas, e o prestador de serviço tem de avaliar o que é operacional ou não. Mas esse processo é cansativo, e muitas vezes frustrante para o cliente, quando tem de mudar seu projeto. Já a sinergia do arquiteto com o fornecedor é mais simples e produtivo: “Já fazemos um estudo de fluxo, de funcionalidade e de harmonização de cores, com a maioria dos pontos acertados, e o trabalho do marceneiro é simplesmente de fazer as medidas, fabricar e instalar no prazo combinado”, conclui Glaucio Gonçalves.

Fabio Juchen Feira Fimma Brasil 2017

  • Fábio Juchen é editor chefe dos sites sortimentos.com
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