Vestuário: entenda a regulamentação e as exigências para etiquetagem de produtos têxteis

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Relatório do Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae reforça aos micro e pequenos empresários do setor a importância da especificação para o crescimento dos negócios

Cores, estampas, formas, cortes, tecidos. As roupas são resultado de uma combinação de atributos que exigem cuidados desde a produção até o manuseio dos usuários no dia a dia. Por isso, as etiquetas são cruciais para que o consumidor saiba como cuidar das peças e, principalmente, saber se aquela roupa é realmente de qualidade, detalhando os tecidos utilizados e a origem de fabricação.

Para auxiliar os pequenos e médios negócios do setor do vestuário, o Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae preparou um relatório dedicado ao emprego das normas de etiquetagem, sua importância e especificação, além dos impactos para a sustentabilidade e os negócios que trabalham com reaproveitamento de tecidos.

A etiquetagem de produtos têxteis tornou-se obrigatória no Brasil a partir de 1973 e deve respeitar o Regulamento Técnico de Etiquetagem de Produtos Têxteis, aprovado pela Resolução Conmetro nº 02/2008. O objetivo é dar aos consumidores uma garantia de procedência do produto, reduzir a propaganda enganosa, aumentar a vida útil do produto orientando sobre a conservação, esclarecer sobre a composição e a característica da roupa e facilitar o reaproveitamento de tecidos.

Além de ser afixada de maneira a não se desprender da peça, a legislação brasileira exige que as etiquetas dos produtos têxteis contenham, em português, as seguintes informações: nome ou razão social, identificação fiscal, país de origem, tamanho, tecido e composição e os símbolos de conservação. Todas essas indicações devem ser feitas de maneira clara, com informações legíveis e sem nenhuma abreviatura. As letras devem ter tamanho mínimo de 2 milímetros e os símbolos de 4 milímetros.

Todas as informações sobre tratamento e cuidados para conservação da peça são geralmente expressas nas etiquetas por símbolos, criados pela Associação Internacional para Etiquetagem de Cuidados Têxteis (International Association for Textile Care Labelling – GINETEX) em 1975. As informações devem seguir a norma ISO 3758:2005 e podem ser expressas por símbolos, textos ou ambos, e informar sobre os seguintes processos, nesta ordem: lavagem, alvejamento, secagem, passadoria e limpeza profissional.

Desafios para sustentabilidade
Muitos empreendedores do setor de moda resolveram adotar a sustentabilidade como premissa para seus negócios. Conceitos como “moda ética”, “moda verde”, e slow fashion tem em comum o objetivo de incentivar o consumo consciente e a produção responsável, com o mínimo de impacto ao meio ambiente. Dessa forma, muitos negócios reaproveitam os resíduos de indústrias têxteis para criar suas peças. Mas esbarram em uma dificuldade na hora de seguir a exigência de etiquetar suas peças: a maioria das lojas de retalho não fornecem a descrição da composição dos tecidos.

A responsabilidade pelas informações que constam nos produtos têxteis é de quem produz e comercializa. Assim, o designer deve fornecer as informações reais sobre a composição das peças, indicando corretamente sobre as fibras e filamentos têxteis, sob pena de multa pela omissão ou errada denominação. No caso dos empreendedores que compram seus produtos em empresas de retalho, elas devem exigir que elas forneçam a composição dos tecidos.

Para os empreendedores interessados no assunto, o Sistema de Inteligência Setorial recomenda as seguintes ações:
::> Confira a lista de bolsas de resíduos em todo país, onde as empresas disponibilizam seus restos de produção com potencial de reciclagem ou reaproveitamento
::> Outra iniciativa de destaque é o Banco de Tecidos, que disponibiliza um acervo com toneladas de tecidos variados. O banco recebe depósitos de tecidos – que é a moeda corrente – e em troca seus correntistas podem sacar outros tecidos disponíveis. Outras pessoas, que não são correntistas também podem comprar os tecidos disponíveis no banco.
::> Confira o material Guia de Implementação: Normalização para Confecção, feito em parceria entre ABNT e Sebrae. Além disso, você pode conferir mais detalhes sobre o assunto nos seguintes manuais: Símbolos-de-lavagem (PDF), Regulamento-Técnico-sobre-Etiquetagem (PDF) e Guia de Etiquetagem Personalizado (PDF)

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