Transposul 2014 – Governança Corporativa foi debatida por Patrice Gaidzinski, Robert Juenemann e Sérgio Fleck

Foto Patrice Gaidzinski Robert Juenemann e Sergio Fleck Transposul 2014 Jose Luiz Rocha

Segundo dados do Sebrae, de cada 100 empresas familiares registradas no Brasil, apenas 30 conseguem se manter durante gerações.

“Governança Corporativa: um desafio para continuidade das empresas familiares” foi o tema do segundo painel de quarta-feira (16.07.14), durante a Transposul 2014 -Feira e Congresso de Transporte e Logística, no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre/RS. O debate reuniu a sócia fundadora da Posterità, Patrice Gaidzinski; o advogado Robert Juenemann, e o administrador Sérgio Fleck.

 

Juenemann esclareceu o conceito de governança corporativa. “É um sistema pela qual as organizações são monitoradas e dirigidas, envolvendo relacionamentos entre proprietários, diretores e demais órgãos de controle”, disse. O especialista citou a transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa como os quatro princípios básicos da governança. Sobre a realidade das empresas familiares no Brasil apresentou dados sobre o empreendedorismo e revelou que, apesar da vontade dos integrantes da família permanecerem no negócio, as organizações possuem um despreparo nas suas gestões. “Boa parte das empresas familiares não dispõe de recursos suficientes para dividir patrimônio sem envolver a própria empresa”, revelou.

 

A sócia fundadora da Posterità, Patrice Gaidzinski, ressaltou que as boas práticas da governança corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua perenidade. Para ela, é preciso enfrentar as vulnerabilidades das empresas familiares. “Trabalhar em um mundo competitivo é sempre estressante e fazer tudo isso com parentes é duplamente mais difícil”, disse. Patrice explicou que isso ocorre porque as tomadas de decisões são influenciadas pelas emoções e, muitas vezes, e isso atrapalha o negócio. “Educar herdeiros para o papel de acionistas, mantendo um espírito empreendedor é essencial”, acrescentou. Em contraponto, ressaltou os pontos fortes de uma empresa familiar como a dedicação, o orgulho e a visão de continuidade e mencionou os desafios dessa gestão. “Cuidar da formação de seus membros, respeitar os dirigentes da empresa e transformar uma família comum em uma família empresária são grandes necessidades”, disse. As questões clássicas da dinâmica familiar também foram citadas por Patrice. “O poder e o abuso, a distância e o controle podem se estabelecer nos casamentos, causando dependência e isolamento”, alertou. Ela explicou que isso acontece através de jogos, emaranhamentos e desintegração, que influenciam diretamente na gestão dos negócios. “Avaliar como as pessoas podem e querem estar envolvidas nos processos da empresa, e encontrar o melhor papel para cada um dos indivíduos é essencial”, concluiu.

 

Fleck trouxe uma visão dos empresários sobre o assunto. “Eles se questionam para que serve a governança corporativa, alguns perguntam se ganharão mais dinheiro com ela”, disse. Para ele, é preciso compreender o mercado em que estão inseridos. O painelista destacou a empresa como um sistema que tem estrutura, desenvolve processos, gestão e busca resultados. Além disso, ele falou sobre a importância das pessoas na organização. “A própria gestão das pessoas é feita por pessoas”, complementou. As relações, explicou o administrador, se dão em duas dimensões: interna e externa. Além disso, são elas que determinam o clima e o ambiente dentro da empresa e as expectativas em volta do negócio. “O sistema das relações humanas é movido também pela competição, é natural na interação entre pessoas. Não há como negar isso, mas é preciso administrar esses sentimentos”, disse. “A competição nas empresas familiares gera um paradoxo bastante conhecido. Na hora de promover alguém, qual é a regra que vale? A da competência ou a do direito? Isso determina o clima interno e as expectativas”, falou. Desenvolver a governança de forma pragmática e focada na profissionalização da família é fundamental. “Isso não significa contratar executivos para tirar os parentes, mas desenvolver as competências dos membros da família, a fim de torná-los candidatos aos cargos de gestão tanto quanto os profissionais que estão criando um plano de carreira dentro da empresa”, concluiu.

Foto Patrice Gaidzinski, Robert Juenemann e Sérgio Fleck na Transposul 2014 por  José Luiz Rocha

 

Transposul 2014
:: Data: 15 a 17 de julho de 2014
:: Horário: terça a quinta-feira, das 13h às 22h
:: Endereço: Centro de Eventos FIERGS – Av. Assis Brasil, 8787 – Porto Alegre (RS)

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