“Eu é Nós”, de Suzana Saldanha, nos 50 anos do Teatro de Arena em Porto Alegre

Atriz Suzana Saldanha - Foto Gilberto Perin
Atriz Suzana Saldanha – Foto Gilberto Perin

 

Integrando as comemorações dos 50 anos do Teatro de Arena ( Av. Borges de Medeiros, 835 ), em Porto Alegre / RS, Suzana Saldanha retorna a cartaz com seu solo de auto-ficção ‘Eu é Nós’, nos dias 20, 21 e 22 de outubro de 2017. As sessões ocorrem às 20h, com ingressos na bilheteria do teatro, uma hora antes do espetáculo, a R$ 20,00. Há desconto de 50% para idosos, estudantes, classe artística e profissionais da área da saúde.

 

“Eu é Nós”, de Suzana Saldanha
A atriz que  recebeu prêmio de melhor atriz pela “Comédia dos Amantes” no palco do Arena e  fez história no Grupo de Teatro Província, renovador da estética teatral porto-alegrense na década de 1970, conta que Eu é Nós surgiu da palavra “desamparo”, destacada no livro “Quem pensas tu que eu sou?”, de Abrão Slavutzky, autor base na concepção do projeto que tem direção de Luís Artur Nunes.

No início dos anos 1980, Suzana se mudou para o Rio de Janeiro, onde se juntou ao Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, do diretor Aderbal Freire-Filho. A amizade com Luís Artur é de longa data, desde 1968 da época do DAD (Departamento de Arte Dramática da UFRGS) e foi amor à primeira vista.

“Durante a escritura de Eu é Nós, Suzana me pediu palpites, orientações, correções. Eu a atendia com prazer. Não porque é minha amiga, mas porque o material é excelente. Se não fosse, justamente em nome da amizade, eu lhe aconselharia com franqueza (e delicadeza) que desistisse. Mas Suzana é uma atriz. E tudo que escreve soa como a fala de um ator, tem a embocadura, a ressonância de uma voz cênica, carrega no bojo sugestões de ação dramática, de poesia corporal, sem as quais o palco não se sustenta”, afirma o diretor.

Sobre o tema do espetáculo, Suzana explica: “do Desamparo, logo veio o desejo de um espetáculo solo que navegasse entre o dramático/cômico e onde o humor fosse a chama de autopreservação que mantivesse sempre acesa a esperança, como disse Abrão Slavutzky. Esta auto-ficção fala dos sentimentos que guardamos e podem se transformar e nos transformar; na busca da tolerância em um momento em que ela mais do que nunca é essencial”, conta. Eu é Nós, segundo a atriz, é “uma mistura de fragmentos de peças, poemas, cartas, fotografias e música, a produção tem como eixo o tema do desamparo, transitando entre realidade e ficção. Ter um espetáculo solo é uma independência. Realmente queria dialogar com o público e estar mais perto. E sinto prazer com o resultado. Eu sou apaixonada por teatro”. Após as sessões, Suzana promove um bate-papo com o público.