Tá na Mesa – Brasil precisa de coalizão política e reforma administrativa séria, afirmam Francisco Ferraz e Victória Werneck

Francisco Ferraz e Victoria Werneck - Foto Ivan Andrade
Francisco Ferraz e Victoria Werneck – Foto Ivan Andrade


Francisco Ferraz e Victória Werneck participaram do “Tá na Mesa” – Foto: Ivan Andrade

O Brasil vive uma incógnita a respeito do seu futuro político e econômico. Os últimos acontecimentos apontam para um “desgoverno”, situação que dificulta a leitura e a antecipação dos próximos passos da atual gestão, segundo afirmou a economista-chefe da Icatu Seguros, Victória Werneck, e o professor e cientista político Francisco Ferraz, no “Tá na Mesa” da Federasul, de quarta-feira (30.03.16). Ambos concordam que o país precisa de uma coalizão política somada a uma reforma administrativa séria que resulte no pleno funcionamento das instituições, caso contrário, todos os efeitos da atual situação se assemelham ao famoso “remar pra trás”.

Para o professor Ferraz é difícil traduzir as jogadas políticas e arriscar uma antecipação de fatos do atual ou futuro governo. “A certeza que temos é que a atual presidente ainda não governou o país”, analisou ao afirmar que os brasileiros assistem a um verdadeiro “varejo de cargos”. Os reflexos aparecem na economia, conforme pontuou a economista-chefe da Icatu Seguros, Victória Werneck, ao descrever o país com sete trimestres de PIB em queda, quatro bimestres seguidos de consumo despencando, inflação acima dos 6,5% projetados e batendo a marca de dois dígitos e desemprego crescente e em ritmo acelerado.

Os palestrantes destacaram que é preciso responsabilidade, serenidade e olhar para o futuro na condução das mudanças que se anunciam. “Temos que ter estadistas que pensem no hoje, mas também no amanhã e no depois”, disse o professor. Ao lembrar do atual rombo no cofre da União que chegou à R$25 bilhões somente em fevereiro, Victória completou que para mudar o cenário é preciso derrubar a inflação o mais rápido possível com medidas dolorosas e reformas que passem por cortes de gastos, “inclusive pelo enxugamento da máquina pública”, ilustrou lembrando que nos Estados Unidos são 8 mil cargos comissionados e aqui temos 23 mil. Para ela, o corte, pelo menos, retrataria a preocupação do governo em buscar uma solução.

Os conflitos políticos contribuíram para as quedas consecutivas do PIB e um crescimento baixo em alguns setores. “Não ocorreram estímulos e os próximos três anos serão para semear um recomeço”, avaliou a economista ao dizer que pelo que parece “cada indivíduo está tentando sozinho ir adiante”.

De outro lado, as pessoas estão unindo força e indo para as ruas nas manifestações sociais e em uma clara polarização de opiniões que, segundo Ferraz, o resultado pode ser o enfraquecimento da democracia participativa. “O povo está disposto a se governar”, alertou o professor.

Ao concluir a participação no “Tá na Mesa” da Federasul, Francisco Ferraz resumiu que “vivemos uma cultura política de uma democracia mal resolvida. Não nos interessa uma democracia de papel”, defendeu. Já Victória definiu que a economia brasileira está ao lado do nevoeiro da crise política.

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