Selic é refém das despesas públicas, salienta presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico

“Independentemente de uma pequena variação da Selic que possa ser anunciada pelo Copom nesta quarta-feira, 16 de julho, a taxa básica, em torno de 11% ao ano, segue muito elevada”, afirma José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), ponderando: “A Selic é refém do problema fiscal. Por isso, é premente reduzir as despesas públicas, pois com o governo, em todas as instâncias, gastando mal e muito, não temos como baixar os juros, e o alto preço do dinheiro é inimigo do aporte de capital em empreendimentos produtivos. Isso dificulta a obtenção de ganhos de eficiência e produtividade e seus reflexos positivos no equilíbrio entre oferta e demanda, com produtos inovadores e de baixo custo”.

Para Roriz, o Brasil precisa de uma estratégia para iniciar um novo ciclo de expansão. “Sem investimentos, é impossível retomar níveis mais elevados de crescimento do PIB. Necessitamos reagir”, observa o presidente da ABIPLAST, acrescentando: “Também é preciso racionalizar a burocracia, que dificulta muito o trabalho das empresas. Não só emperra e atrasa numerosos procedimentos, como aumenta os custos. É importante, ainda, dinamizar programas como as parcerias público-privadas e realizar política monetária (juros e câmbio) de estímulo à economia, além da melhoria dos serviços públicos, pelos quais os brasileiros pagam uma das mais altas cargas tributárias do mundo”.

Roriz acentua que não se pode falar em competitividade sem lembrar as agruras do “Custo Brasil” (composto por carga tributária, que incide inclusive sobre investimentos, algo raro em todo o Planeta; burocracia, capital de giro, energia/matéria-prima e infraestrutura/logística), somadas à política monetária na contramão da realidade global. “Tudo isso faz com que fabricar no País seja pelo menos 34% mais caro do que nas economias com as quais concorremos”, enfatiza, concluindo que a queda dos juros em níveis mais estimulantes à produção não é algo isolado, mas sim atrelado a uma estratégia com ações de curto, médio e longo prazo para o crescimento sustentado da economia.

A indústria de transformação do plástico, representada pela ABIPLAST, que comemora 47 anos em 2014, é constituída por 11.670 empresas, que empregam um total de 358 mil pessoas. Trata-se de um setor no qual predominam empresas pequenas e médias, cujo produto está presente em praticamente todas as cadeias produtivas e que tem feito grande esforço no tocante ao aporte tecnológico e no plano da sustentabilidade.