Copom mantém juros em 14,25% ao ano pela sexta vez seguida e entidades comentam a decisão

Dinheiro cedulas 201602

Pela sexta vez seguida, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve por unanimidade na quarta-feira (27.4.16) a taxa Selic em 14,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas, que preveem que a taxa permanecerá inalterada até o fim do ano.

Em comunicado, o Copom informou que o nível atual de inflação não permite ao Banco Central começar a reduzir os juros básicos agora. “O comitê reconhece os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos. No entanto, considera que o nível elevado de inflação em 12 meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para a flexibilização da política monetária”, informou o texto.

Os juros básicos estão nesse nível desde o fim de julho do ano passado. Com a decisão do Copom, a taxa se mantém no mesmo percentual de outubro de 2006. A Selic é o principal instrumento do banco para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Oficialmente, o Conselho Monetário Nacional estabelece meta de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulou 9,39% nos 12 meses encerrados em março, depois de atingir o recorde de 10,71% nos 12 meses terminados em janeiro.

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerre 2016 entre 6,6% e 6,9%. O mercado está mais pessimista. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, o IPCA fechará o ano em 6,98%.

Há sete semanas seguidas, o mercado reduz a estimativa de inflação. Além do fim do impacto da elevação de preços administrados (como energia e combustíveis), a queda do dólar tem contribuído para a diminuição dos índices de preços. Nos próximos meses, a expectativa é que a inflação desacelere ainda mais por causa do agravamento da crise econômica.

Embora ajude no controle dos preços, o aumento ou a manutenção da taxa Selic em níveis elevados prejudica a economia. Isso porque os juros altos intensificam a queda na produção e no consumo. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam contração de 3,88% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2016. No Relatório de Inflação, o BC prevê retração de 3,5%.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

CNI – manutenção dificultará recuperação econômica
A manutenção dos juros básicos no maior nível em quase dez anos dificultará a recuperação da economia. Em comunicado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI)e informou que a taxa Selic em 14,25% ao ano restringirá o crédito às empresas no segundo ano seguido de recessão.

Para a confederação, a autoridade monetária poderia aproveitar o agravamento da crise econômica, que diminui a produção e o consumo, e a queda do dólar para cortar os juros básicos. “Na avaliação da indústria, a decisão do Banco Central provavelmente reflete o ambiente de incerteza política que domina a economia. Isso porque o aprofundamento da recessão, a valorização do real frente ao dólar e a desaceleração da inflação justificariam o início do processo de queda dos juros”, destacou a nota.

A CNI pediu rigor com o ajuste fiscal para acelerar a convergência da inflação oficial para a meta, cujo teto está em 6,5% neste ano. “O controle sustentado dos preços e a consequente convergência da inflação para a meta depende da combinação da política monetária com uma política fiscal austera. A concretização do ajuste fiscal efetivo ajudará a controlar a demanda e restabelecer a confiança dos agentes econômicos, afastando o risco de uma trajetória insustentável da dívida pública”, concluiu o comunicado.

Firjan  – decisão não surpreende
O Sistema Firjan disse que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros em 14,25% ao ano não surpreendeu, já que, segundo a entidade, a economia brasileira passa pela “mais profunda e longa recessão de sua história”.

A Firjan diz que a queda na taxa básica de juros, a Selic, depende de “um maior alinhamento entre as políticas monetária e fiscal” para que a inflação se mantenha dentro da meta e o crescimento da economia seja retomado.

Em nota, a entidade disse ainda que defende “um plano fiscal de longo prazo que sirva como âncora para as expectativas dos agentes e trabalhe em conjunto com a política monetária”.

Força Sindical – decisão perversa
A Força Sindical considerou a manutenção da taxa Selic uma decisão “extremamente perversa para com os trabalhadores”. Segundo a entidade, ao manter a taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) continua colocando uma trava no desenvolvimento e no crescimento econômico do país. “A decisão é um verdadeiro balde de água fria na economia, que já está paralisada. Mais uma vez, o governo se curva e reverencia a especulação”.

A entidade disse que a decisão do Copom não contempla sua reivindicação, que é reduzir os juros. “A insistência do Copom de manter os juros altos produziu um ‘pibinho’ no ano passado, reduziu a produção, a demanda e a renda, além de ter contribuído muito para elevar a taxa de desemprego, que chegou a 10,2%. Todo este quadro mostra que quem paga a conta da crise é o trabalhador”, disse, em nota, a Força Sindical

FecomercioSP  – incerteza política
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) disse que a incerteza decorrente da indefinição política gera apreensão nos agentes econômicos, o que exigiria cautela, segundo a entidade, por parte da autoridade monetária.

“As dúvidas em torno dos desdobramentos da crise política são tantas que, para a FecomercioSP, ainda não há espaço para o Banco Central baixar juros. Por isso, não se pode considerar conservadora demais a manutenção da Selic em um momento em que a atividade econômica segue em queda, a inflação ainda está elevada e dá apenas leves sinais de desaceleração”, disse em nota.

Para a federação, somente após o desfecho do impasse político, quando será possível ter um grau de previsibilidade maior, é que o Banco Central “poderá contar com ambiente melhor para combater a inflação sem ter de manter os juros nas alturas”.

Pela sexta vez seguida, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. O Copom manteve por unanimidade hoje (27) a taxa Selic em 14,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas, que preveem que a taxa permanecerá inalterada até o fim do ano.

APAS – juros altos não controlam inflação nem contribuem para o crescimento econômico
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) avalia que a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil em manter os juros básicos da economia, a taxa SELIC, compromete o desempenho da atividade econômica para 2016.

Conforme explicou o gerente de Economia e Pesquisa da APAS, Rodrigo Mariano, a manutenção da taxa básica de juros não foi surpresa e deixa evidente a situação atual da equipe econômica, que está inerte ao cenário econômico atual e não consegue articular uma política econômica na qual tire o país desta recessão, que tem prejudicado o emprego e a renda da população.

“Por mais um mês, o Banco Central tem se beneficiado do quadro recessivo da economia brasileira, fruto da má condução da política econômica dos últimos anos”, diz.

Segundo ele, para 2016 a expectativa é de ligeira redução da taxa básica de juros a partir do segundo semestre, encerrando o ano de 2016 em uma taxa de 13,5% ao ano, o que ainda é elevado, diante da necessidade de impulsionar a atividade econômica em busca da retomada do crescimento.

“Se os juros estão altos não há incentivo ao investimento produtivo, pois torna o crédito mais caro. E o investimento produtivo é fator essencial para a retomada do crescimento, sem riscos de uma elevação da inflação no médio prazo”, comenta.

Ele disse ainda que juros altos prejudicam as empresas que estão endividadas, principalmente as de pequeno e médio porte. Somado a isso, as reduções nas vendas, dificultam o enfrentamento da crise econômica, a manutenção da atividade e os empregos gerados.

Vale ressaltar que o impacto da elevação da taxa de juros possui em efeito que se propaga na economia em até 6 meses, prejudicando a atividade econômica para 2016.

-- --