Comportamento – Em tempos de crise política, cuidado com a intolerância, alerta psicoterapeuta Maura de Albanesi

cafe amigos conversando

Muitas pessoas têm dificuldade em aceitar as opiniões do outro e isso pode gerar conflitos. Isso ocorre muitas vezes quando as ideologias se tornam maiores que a pessoa; saiba que algumas atitudes indicam se você está excedendo no quesito ‘intolerância’

Você deixou de falar com seu melhor amigo porque ele votou em um partido de esquerda? (Ou de direita). Evita sair com algumas pessoas — e até as exclui de suas redes sociais — porque não aceita a opinião delas? Cuidado, a sua intolerância pode estar passando dos limites. “Se você discorda das posições políticas do outro, mas tem a capacidade de ouvi-las com respeito, isso é saudável. Na prática, mesmo que discorde dessa pessoa e não queira adicioná-la ao seu Facebook, por exemplo, você não chega ao extremo de rotulá-la como inimiga”, afirma a psicoterapeuta Maura de Albanesi. “Mas infelizmente, há muitos casos de pessoas sem disposição para ouvir o outro lado. Elas apenas querem convencer o outro a aceitar a sua opinião e vice-versa. Como nem sempre consegue, muitas vezes se afastam”, complementa a psicoterapeuta.

Maura destaca que as discussões sobre política são ainda mais intolerantes e enraizadas. “Com religião, por exemplo, o conceito é ‘converter almas e salvá-los do caminho errado’, há uma penalização. No caso da política, a situação se torna feroz, muito mais agressiva do que outras divergências, como temas ligados ao futebol. Afinal, o intolerante enxerga dessa forma: se você votou em alguém que está sendo acusado de corrupção, você é tão ou mais culpado que ele”, afirma.

Mas afinal, com o que está relacionada a intolerância? Maura cita que as pessoas intolerantes são arrogantes e se acham superiores. “Muitas vezes, as ideologias se tornam maiores do que a pessoa. O indivíduo, neste caso, crê que sua visão de mundo e conduta de vida são perfeitas e, então, escolhe conviver apenas com quem pensa da mesma forma. A pessoa esquece a família e vive somente o seu ideal”. Há casos, inclusive, de pessoas que deixam de falar com o próprio irmão por divergências políticas.

Bom, neste cenário, é importante ressaltar que o indivíduo “ultrapassa o sinal vermelho” e abraça o fanatismo. “Todo fanático é cego, tem prepotência e se acha o dono da verdade”, completa a psicoterapeuta. E como identificar se você está passando dos limites, em termos de intolerância? Maura indica quatro sinais que alertam para essa questão:

1 – Você se inflama demais?
Se ao ouvir uma opinião diferente da sua, você ‘inflama’ e sente ira, é o momento de parar e refletir sobre a sua condição em aceitar uma opinião diferente. Nesta situação, é primordial respeitar as posições do outro.

2 – Convencimento a qualquer preço
Outro sinal de alerta é observar se você tenta fazer de tudo para convencer a pessoa a aceitar a sua opinião. “Nesta situação, a pessoa deseja convencer o outro, então, ela quer subjugar a opinião alheia. E para que? O que ela ganha com isso? Que diferença faz na vida dela uma pessoa pensar diferente? Por qual motivo isso a inflama tanto?”, afirma.

3 – Afastamento
Neste terceiro alerta, é importante observar se você se afastou ou não deseja conviver, de forma alguma, com uma pessoa com opiniões diferentes.

4 – Denigrindo o outro
Maura ainda destaca que esses sinais de alerta podem recair para um o grau maior de intolerância: “quando a pessoa denigre as ideias do outro e sequer se propõe a ouvi-las com respeito”, argumenta.

O que fazer?
De acordo com a psicoterapeuta, em uma situação como essa, é necessário parar e refletir sobre o que está acontecendo. “Por que é tão importante que outra pessoa pense exatamente igual a mim? O respeito às diferenças é essencial para se ter uma relação saudável com as pessoas. E quem sabe respeitar as diferenças tem uma vida mais leve, mais alegre, com mais bom humor e menos estresse. E isso se reflete em todos os aspectos da vida”, orienta a psicoterapeuta.

-- --