Crise no Brasil 2018 : setor de turismo fecha 16,5 mil postos de trabalho em dois meses

Crise no Brasil 2018 : setor de turismo fecha postos de trabalho

Crise no Brasil 2018

No bimestre maio/junho, foram fechados 16,5 mil postos, segundo a CNC

O setor de turismo no Brasil fechou no mês de junho/18 com 7.743 postos de trabalho, elevando para 16,5 mil os postos fechados desde maio, quando haviam sido extintos 8.754. As informações constam do estudo Empregabilidade no Turismo, produzido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

“Os serviços ligados ao turismo continuaram amargando prejuízos, uma vez que se manteve a tendência do desemprego do mês anterior. Em maio, o número de desempregados foi um pouco maior, atingindo 8.754 trabalhadores. Nesses dois meses, o desemprego acumulou 16,5 mil pessoas, reflexo do tamanho do ajuste de diminuição de custos que as empresas realizaram em decorrência do tamanho das perdas nos negócios do setor no período”, avaliou a entidade.

Os números divulgados pela CNC indicam que o resultado entre admissões e demissões no primeiro semestre do ano fechou negativo em 11.689. O número, no entanto, é menor do que o verificado no mesmo período do ano passado, quando o saldo entre admissões e demissões ficou negativo em 13.061 postos.

Recuperação
A CNC avalia que a recuperação da empregabilidade no turismo vai depender do otimismo dos próprios consumidores para com a situação do país.

Para o economista da CNC Antonio Everton, enquanto esse otimismo não ocorrer, “o emprego no turismo continuará sofrendo as oscilações [decorrentes] da conjuntura econômica, retrato do desempenho das empresas do setor”.

A avaliação do economista é de que, mais do que somente o otimismo dos consumidores quanto às perspectivas do mercado de trabalho, à estabilidade dos preços e à folga para gastos novos nos orçamentos, aliado à capacidade de a economia voltar a crescer também serão fundamentais para a recuperação dos empregos do setor.

Estados
Ao analisar a retração de postos de trabalho, a CNC concluiu que o desemprego atingiu de maio para junho todas as regiões do país, com destaque para o Sul, com menos 2.049 postos de trabalho e o Sudeste, com menos 3.853.

Por força do desequilíbrio fiscal e das dificuldades empresariais inerentes à repercussão do aumento da violência, o desemprego prevaleceu no Rio de Janeiro (-2.244), seguido de São Paulo (-1.456).

Nos sete estados que compõem as duas áreas, o Espírito Santo foi a exceção, onde o emprego cresceu com pouca expressão, com apenas mais 10 pessoas.

Em junho, poucos estados registraram superávit na conta emprego no turismo: Amazonas (152), Maranhão (53), Mato Grosso (33) e Goiás (67). O Ceará ficou em primeiro (479). “Ajudam a explicar: o clima, as condições naturais e os efeitos benéficos do investimento, tanto privado quanto público.

Setores
Quando a análise se dá por setores, o levantamento mostra um movimento atípico em relação à empregabilidade nos diversos segmentos, com hospedagem e alimentação impulsionando o desemprego, fechando 6.269 postos de trabalho.

Os agentes de viagens fecharam junho com abertura de 71 postos de trabalho; cultura e lazer, 49; locadoras de veículos, 33; empresas aéreas de transporte de passageiros, 305; e ferrovias, mais 111.

Primeiro semestre
Os dados do estudo Empregabilidade no Turismo indicam que de janeiro a junho deste ano foram fechados 11.689 postos de trabalho no setor turístico do país.

Quando analisados por estados, no entanto, eles indicam que São Paulo fechou os primeiros seis meses do ano gerando 7.656 mil postos de trabalho. Em contraposição, o Rio de Janeiro foi o estado que mais cortou emprego no setor, 6.968.

O mesmo fenômeno se repetiu em 12 meses, quando se compara junho de 2018 com junho de 2017, São Paulo foi o local onde o nível de emprego mais avançou, enquanto as empresas turísticas localizadas no Rio de Janeiro foram as mais afetadas pela queda das vendas.

O estudo lembra que somente neste ano o dólar subiu pouco mais de 18%, atrapalhando as escolhas das famílias ao onerar o custo das viagens internacionais. “O consumidor nacional revelou-se cauteloso em virtude da baixa confiança com relação à economia. Além disso, a retração do mercado de trabalho junto com a alta da inflação e a baixa confiança para o consumo desaceleraram as vendas das atividades do setor”, disse o economista Antonio Everton.

Por Nielmar de Oliveira – Repórter da Agência Brasil

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