Setor calçadista prevê crescimento de 3,5% em 2018 motivado por exportações

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A tímida recuperação registrada na demanda doméstica por calçados, tanto no mercado interno como internacional, animou os calçadistas para 2018. Embora o clima seja de cautela, pois trata-se de um ano com muitos feriados e eventos, como Copa do Mundo de futebol e eleições, a inadimplência em queda, a inflação e os juros baixos formam um contexto de projeção positiva. Essa foi a tônica da coletiva de imprensa da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), realizada Na terça-feira (16.01.18), em São Paulo / SP.

Exportações salvaram o ano
O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, destacou o leve crescimento no varejo ao longo de 2017, impulsionado sobretudo pela queda da inflação. Segundo ele, o incremento nas vendas internas, embora ainda tímidos, foram importantes para que a produção de calçados aumentasse mais de 3% ao longo do ano, mas o que “salvou” o setor foram as exportações. “A Abicalçados trabalha com duas preocupações quando se trata de análise de mercado, a demanda doméstica e o impacto da competitividade nas exportações”, comentou. Com isso, o executivo avaliou que o crescimento das vendas internacionais no ano passado, de 1,2% em pares e 9,3% em receita em relação a 2016 (127 milhões de pares por US$ 1,09 bilhão, o melhor resultado desde 2013), teve papel determinante para o desempenho do setor calçadista.

Desafios estruturais
Embora comemorando o resultado de 2017, Klein destacou que os desafios para a indústria ainda são grandes, já que esse número ainda está muito aquém de performances anteriores – quando o setor gerou quase U$ 2 bilhões com embarques e conseguiu grandes índices de crescimento no varejo.

Levantando as questões estruturais que afetam diretamente o desempenho do segmento, como a alta carga tributária e os altos custos logísticos e trabalhistas, o executivo ressaltou que a Abicalçados também tem trabalhado fortemente com iniciativas que permitam uma melhora da competitividade da indústria no “intramuros” e que não dependam do poder público. “Dentro deste contexto, a Abicalçados tem trabalhado ações que permitam uma maior competitividade para a indústria, especialmente por meio de inciativas como as do âmbito do Future Footwear, que buscam incorporar novos modelos de negócios, processos de produção e tecnologia em produto no segmento”, apontou, dando exemplos práticos como o projeto SOLA, que através da automação logística promoveu a economia de R$ 500 mil em um ano para uma grande calçadista nacional.

Expectativa é a exportação
Para 2018 a expectativa é de uma estabilidade na produção de calçados, apesar da previsão da Associação Brasileira dos Lojistas de Calçados e Artefatos (Ablac) de um crescimento na faixa de 3,5% nas vendas. “O câmbio tem papel determinante no desempenho da indústria. O dólar menos valorizado, além de encarecer o nosso produto para o comprador estrangeiro, acaba favorecendo as importações, que podem usufruir mais da expectativa do reaquecimento do mercado doméstico”, comentou Klein.

O presidente do Conselho Deliberativo da Abicalçados, Rosnei Alfredo da Silva, também foi comedido quando questionado sobre as expectativas dos produtores de calçados. “A analogia que fazemos é simples. Na virada do ano, nos brindes, todos pensam em crescer. As empresas são como as pessoas e uma entidade que representa o setor não pode falar de sonhos, mas da realidade”, disse Silva.

Varejo
Também participando da coletiva da Abicalçados, o presidente da Ablac, Marcone Tavares, ressaltou que apesar da queda de quase 9% no volume de vendas, o varejo brasileiro teve um incremento de 4,9% na receita ao longo de 2017. “Os números mostram que o consumidor brasileiro está mais consciente, agindo menos por impulso, o que tem promovido uma maior profissionalização do varejo, um amadurecimento positivo para o setor”, disse, acrescentando que o preço médio do calçado vendido avançou 12,7% ao longo daquele ano.

Para o dirigente, no entanto, a projeção de crescimento é mais comedida em 2018, de 3,5% em faturamento. “Será um ano com menos dias úteis para o varejo, além das eleições e a Copa do Mundo de futebol, o que sempre tira um pouco da atenção do consumidor”, acrescentou.

Consumidor brasileiro endividado
Com brasileiros endividados, alto índice de desemprego, baixa reposição salarial, aumento das despesas com impostos e no setor de utilities o consumidor brasileiro, vítima da politica econômica do governo Michel Temer e Meirelles, que beneficia grande s grupos empresarias, amigos e parceiros de negócios, terá um ano difícil. Para completar, servidores públicos de carreira no executivo estão sendo ‘perseguidos’ com salários atrasados, parcelados e defasados por falta de reposição salarial. Então acreditar no potencial do mercado nacional é um erro primário e desconectado com ‘universo’ real do brasileiro. Conforme dados divulgados pelo SERASA, no início de 2018, 60,4 milhões de brasileiros fecharam o ano de 2017 inadimplentes. O montante alcançado pelas dívidas em dezembro no Brasil todo, segundo o estudo, foi de R$ 265,8 bilhões, com média de quatro dívidas por CPF, totalizando R$ 4.402,00 por pessoa. A maioria das dívidas foi contraída junto ao setor bancário e de cartão de crédito (29,0% do total). Na comparação com dezembro de 2016, houve queda de 0,8 ponto percentual nas dívidas nesse segmento. O setor de utilities (energia elétrica, água e gás) vem em segundo lugar na lista com 19,5% do total de débitos em atraso, aumento de 0,4% ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Telefonia aparece em seguida, representando 11,6% do montante (aumento de 0,6 ponto percentual em relação a outubro de 2016). A inadimplência do varejo, quarto segmento no ranking, representava 13,5% e caiu para 12,6% em dezembro de 2017, aumento de 1,1 ponto percentual na comparação ano a ano. O setor de serviços respondeu por 11,3% da inadimplência, queda de 0,6 ponto percentual em relação a dezembro de 2016. Por fim, financeiras e leasing representa 8,3, queda de 0,6 ponto percentual na comparação ano a ano.

As exportações são a única opção para os fabricantes nacionais que desejam manter ou crescer seus volumes de negócios em 2018.

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