Congresso MOVERGS 2017 : República, modernização, ética e evolução formam projeto Novo Brasil de Arnaldo Jabor

jornalista Arnaldo Jabour MOVERGS -Foto Carlos Ferrari
Jornalista Arnaldo Jabour no Congresso MOVERGS -Foto Carlos Ferrari
Conhecido por seu estilo irônico e mordaz, Arnaldo Jabor prendeu a atenção dos 500 participantes do 27º Congresso MOVERGS falando por uma hora seguida sobre o Projeto Um Novo Brasil.  O jornalista, cineasta e comentarista político da Rede Globo e da Rádio CBN, começou a palestra comparando a situação do Brasil a
o de uma novela mexicana. E fez uma reflexão importante. O Brasil é uma região interna nossa, disse, e completou:
Nós somos o Brasil. Ele não é a floresta. Com muito bom humor abordou temas delicados e afirmou que o País estava precisando passar por tudo isso, se referindo aos diversos acontecimentos políticos. Sempre vivemos em uma guerra surda entre atraso e modernização, considerou, e analisou o raciocínio comum que ainda permeia a nossa sociedade de que é bonito ser pobre e feio ser rico.

Para Jabor, os brasileiros vivem hoje as consequências de sua formação histórica, das suas origens e dos vícios oriundos do isolamento da sociedade em relação ao poder. Existe uma depressão. Uma impotência da sociedade que não se vê participando do trem da história. Que se vê jogado para fora dele. Segundo o jornalista, a ideia de que é lícito roubar o Estado vem desde a Colônia, e a corrupção e o conceito de cordialidade estão entranhados no brasileiro. Foi nos últimos anos que as pessoas passaram a entender que a corrupção impede a governança. Impede o desenvolvimento, avaliou, e completou : Antes o corrupto era visto com beleza. Já o honesto não fazia sucesso nem na sua própria casa. Isso foi formando a gente. Alertou, ainda, que muitos brasileiros se perguntam qual é a
solução do Brasil. Não existe isso.
  
Jabor fez uma análise dos últimos anos vividos pelo Brasil. Fomos colonizados para sermos atrasados, e a burocracia deseja manter as coisas assim. A democracia visou sempre que o País se desenvolvesse. Destacou que a educação foi vista como secundária por muito tempo e que, apenas hoje, se sabe a real importância que ela tem, e abordou o analfabetismo funcional com uma das deficiências dos brasileiros. Estamos vendo, talvez, o início da derrocada de tudo isso.

Para Jabor, a ideia do salvadorismo caiu por terra junto com a de que uma revolução vai resolver os problemas.
Muitos pensam: alguém tem que nos salvar. Porque somos idiotas e impotentes… , disse de forma sarcástica, e completou: As pessoas tem saudades de um passado que acham que foi bom ou de um futuro que acreditam vai ser melhor. E afirmou que ao eleger um salvador da Pátria, a tendência é de que ele vire um ditador. Collor foi um salvador da Pátria. Lula foi um salvador da Pátria. Jabor defendeu que a modernização no Brasil é a democracia, a estabilidade financeira e econômica, é dar a sociedade o seu papel decisório e diminuir o Estado para que ele faça o bem às pessoas.

A sociedade tem que ter poder. A evolução é fundamental e você faz parte de um conjunto, não vive em uma ilha. É acreditar na administração e não em delírios ideológicos. Segundo ele, pela primeira vez o brasileiro tem um predomínio  sobre a coisa contemporânea do atraso. E isso tem a ver com as mudanças do mundo nos últimos 30 anos, com a revolução digital e com a globalização. Há uma consciência maior. Não achamos que estamos indo para o brejo e nem que vamos chegar lá. Estamos mais bem informados. Jabor destacou que na época da ditadura, o brasileiro teve fome de democracia. A ditadura formou na nossa cabeça uma consciência mais trágica da vida, menos babaca. Democracia é fundamental para a  sociedade funcionar.
 
O jornalista salientou que com a chegada da democracia viu-se a volta dos atrasos e da corrupção, pois eles não estavam superados. Ela foi uma conquista, uma revolução, um aprendizado. Mas também foi drama , avaliou, e afirmou: Há 20 anos a democracia não dá o que a sociedade esperava.
Recordou que no período Collor criou-se uma nova fome: a da República. Mostrou que o País precisava de uma reorganização republicana. E citou Nelson Rodrigues: Em Brasília não há inocentes. Todos sã o cúmplices. No final, quando questionado sobre o avanço do Brasil e o atual cenário, Arnaldo Jabor ponderou que o progresso é possível, se forem evitadas as condições que o impedem.
 
O Brasil vive momento único que pode superar o atraso porque estamos passando por uma crise que é difícil feito um parto. Não existe parto sem dor. A mulher vai dar à luz a um filho e dói, afirmou, e finalizou: Nós estamos passando por um parto, na minha opinião. Vamos ver o que nasce disso, se vai nascer um monstro ou uma criança bonita.