Fimma Brasil 2017 : Seminário abordou a Revolução Digital na indústria

Seminário Industria 4.0 na Fimma Brasil 2017 - Fotos Carlos Ferrari e Desirée Ferreira
Seminário Industria 4.0 na Fimma Brasil 2017 – Fotos Carlos Ferrari e Desirée Ferreira

O “Seminário Internacional sobre a Indústria 4.0 – A Revolução Tecnológica em Curso”, reuniu mais de 400 pessoas na manhã de quinta-feira (30.03.17) no Parque de Eventos de Bento Gonçalves. A qualificação que integra a programação oficial da Fimma Brasil 2017 – Feira Internacional de Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira, que ocorre até sexta-feira (31.03.17),  teve como objetivo de informar aos participantes da feira a importância da quarta revolução industrial.

Com olhar no futuro
A Indústria 4.0, como está sendo tratada esta questão no Brasil? Numa era em que as ferramentas digitais integram todas as etapas da produção nas fábricas, permitindo a automação e a integração dos processos de modo nunca visto antes, quais serão os nossos desafios? Como ficarão os empregos no país? E a formação profissional?

A indústria 4.0, na qual ferramentas digitais integram todas as etapas da produção, permitindo a automação e a integração de modo nunca visto antes, pede trabalhadores flexíveis, qualificados e, principalmente, abertos a novos aprendizados o tempo todo. Com a implantação desse novo modelo os bancos de dados de todas as plantas industriais podem ser acessados a qualquer hora, de qualquer ponto, com isso a formação profissional na área também precisa mudar, se adaptar.

O austríaco Joerg Rosemeier, executivo da área de exportação das Américas (Central, Norte e Sul) da IMA Leading Technologies, apresentou um panorama do conceito de Indústria 4.0, disseminado pelo governo da Alemanha e também definido como Smart Factory, ou Fábricas Inteligentes, em países como os Estados Unidos. As máquinas não são apenas integradas, como possuem capacidade para decidir e adequar processos quando necessário. “A visão por trás da indústria 4.0 é tornar inteligente e independente cada parte da linha de produção”, esclareceu.

“As máquinas aprendem os processos e otimizam a operação dentro dos processos”, ressaltou Rosemeier, ao lembrar que isso ocorre com a presença de elementos como internet das coisas, internet do serviço e análise de big data. “Na indústria automobilística da Alemanha, 80% das empresas usam máquinas inteligentes, que se auto-alimentam. No mundo de móveis, teremos uma entrega direta, sem tempo de preparo”, acrescentou.

A introdução de máquinas inteligentes em sistema interligado no segmento de móveis, avaliou o palestrante, permite produzir peças individuais com significativa redução de complexidade, em um processo que garante segurança e flexibilidade. O controle de processos, com autonomia de cada equipamento, acontece em tempo real. “Caso falte uma peça, o sistema está preparado para introduzir outra sem que seja necessária interferência humana”, afirmou, lembrando que, para isso, são utilizadas etiquetas como código de barras ou QR codes.

Rosemeier ainda detalhou particularidades no funcionamento de robôs responsáveis por cada etapa na montagem de um móvel. “Nesse sistema, não há peças repetidas. A ideia é não produzir mais peças para estoque”, observou. O conceito já vem sendo implementado em empresas do Rio Grande do Sul nos últimos anos, por meio de instalações de sistemas e equipamentos. “O Rio Grande do Sul já vive o 4.0 há algum tempo. Todas as instalações que fizemos e vamos fazer são preparadas para a Indústria 4.0, o que faltará é a integração da empresa”, analisou.

A realidade apresentada por Rosemeier atraiu as atenções dos presentes, entre eles, o sub-reitor da Universidade de Caxias do Sul, Miguel Ângelo Santin. Para ele, é preciso um trabalho integrado para alcançar a integração com esse novo contexto. “Acredito que as universidades como um todo, especialmente a Universidade de Caxias do Sul, junto com a MOVERGS, têm um caminho longo a ser percorrido, mas sem dúvida juntos podemos fazer muito melhor.”

O diretor da Pollux Automation, José Rizzo, iniciou sua participação no evento fazendo um alerta aos participantes. “Estamos diante de um furacão de grau máximo. Ele está passando e vai transformar muita coisa”.
Na apresentação, dados de estudo realizado pela University of Washington informando que das 500 maiores empresas existentes, somente 60% vai existir daqui 10 anos. “Elas não vão resistir à onda da era digital, e o produto que elas fabricam hoje não seja mais consumido no futuro”, apontou.

Segundo Rizzo, esse movimento de mudança está sendo criado pelas empresas disruptivas, que possuem uma mentalidade diferente e seis elementos característicos: vivem no limiar da inovação, estão atualizadas com a 4ª Revolução Industrial e as tecnologias; estão completamente voltadas para o digital; são fortes participantes do ecossistema; são pensadoras exponenciais, arrojadas – não falam em faturar 5% ou 10% em alguns anos e, sim, em como dobrar faturamento em seis meses; são ágeis e são centradas no cliente.

A partir destes elementos, o executivo lançou um questionamento para a reflexão dos empresários presentes: “Quantas dessas seis características estão presentes nos negócios de vocês?”. E, ainda, fez um alerta para os moveleiros que exportam para os Estados Unidos. “Repensem a forma de vender móveis para lá”.

O palestrante destacou que a Indústria 4.0 é a utilização de uma série de tecnologias, como: robótica, simulação, integração de sistemas, internet das coisas, entre outras. “Elas se integram e devem ser avaliadas pelo empresário. Ele deve entendê-las e saber como vai afetar o seu negócio”.

Para Rizzo, outra pergunta importante que o setor deve se fazer é como vai ser o móvel daqui 10 anos? “Sempre haverá lugar para o clássico, mas é relevante analisar as funcionalidades e as atualizações do mobiliário”.

Na ocasião, ele apresentou um vídeo sobre um móvel da LG Styler, que une a facilidade de um armário a de um eletrodoméstico, pois passa as roupas, elimina bactérias das peças e ainda as perfuma.

O diretor da Pollux Automation também falou sobre o processo de digitalizar uma fábrica, que deve seguir um percurso que utiliza uma pirâmide que tem na sua base sensores, e segue com dados, informação organizada, aplicação de conhecimento e, no topo, sabedoria. “Isso vai gerar produtividade e eficiência”.

De acordo com o executivo, a internet industrial se justifica por vários fatores, como, por exemplo, novos e revolucionários produtos, redução de custos e geração de receita. “Isso representa um mercado potencial de US$ 15 trilhões de dólares nos próximos 15 anos”, apontou.

Segundo o palestrante, a área de robótica é uma tecnologia recente, que tem crescido no mundo. Ele destacou os ganhos que os robôs colaborativos podem trazer para as fábricas. “Eles não precisam ficar isolados das pessoas. Já podem conviver em conjunto, de forma segura”.

Para exemplificar, apresentou um vídeo de robôs trabalhando junto com funcionários e realizando atividades como: pintura, colagem de peças, polimentos, pré-colocação de parafusos, parafusamentos, assessoria no processo de montagem e inspeção de qualidade.

Ele destacou que hoje se pode utilizar o robô como serviço, através da locação para as empresas que não querem ou não têm verba para fazer um investimento grande em um equipamento e em tecnologia desse nível. “É possível implantá-lo com velocidade para que esteja funcionando em até duas semanas”, revelou.

A facilidade deste tipo de contratação é que não requer manutenção de estoque de peças e reposição, tem suporte permanente, flexibilidade na troca de função, ajuste do número de robôs à necessidade do momento, além da atualização tecnológica.

Na ocasião, Rizzo também falou sobre a Associação Brasileira de Internet Industrial – ABII, que foi fundada pela Pollux, FIESC/CIESC e Embraco, e listou alguns dos objetivos da entidade: promoção do crescimento e desenvolvimento da internet industrial no Brasil; debate nos setores público, privado e academias; colaboração e intercâmbio tecnológico e de negócios, bem como a disseminação do conhecimento.

Presente no Seminário, o gerente Industrial da Todeschini, João Paulo Rossatto, destacou que o tema indústria 4.0 não é uma novidade, mas reforçou que ainda é preciso pensar e refletir muito sobre o assunto. “É importante buscar novas tecnologias que já estão presentes no exterior e utilizá-las para atender o mercado consumidor e melhorar a competitividade das empresas. O nosso cliente busca cada vez mais produtos customizados e é muito exigente”. “É preciso estar atento as mudanças que o mercado está sinalizando. Mas, mais do que isso, é preciso ter atitude para mudar e buscar novas tecnologias, se manter alinhado as tendências e inovação, para atender com excelência o consumidor”, finalizou.

Mediador do Seminário, o coordenador de manufatura avançada (ou Indústria 4.0) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Rafael Wandrey, apresentou ao público os resultados de pesquisa sobre o tema, realizada com cerca de 300 especialistas, entre empresas, institutos de Ciências e Tecnologias (ICTs), academias e esferas de governo.

Através de workshops, o estudo buscou apontar ações a serem tomadas dentro desse ecossistema para fortalecer e promover a Indústria 4.0 no Brasil. Entre as iniciativas indicadas na área de convergência e integração tecnológica estão a organização de uma rede ou associação de tecnologia voltada para a manufatura avançada, o desenvolvimento se inteligência estratégia, a análise de padrões de interoperabilidade e o desenvolvimento de laboratório de multiusuários.

Wandrey destacou a necessidade de importância do compartilhamento de pesquisas. “A academia precisa saber a estrutura das empresas e as empresas precisam estar junto das universidades. Assim, podemos mudar o rumo do que está sendo produzido hoje.”

O desenvolvimento de ambientes que permitam a inserção de empresas de base tecnológica na cadeia produtiva, ações de fomento e aprimoramento, e a aproximação entre fornecedores, startups e institutos de pesquisa também foram indicadas, assim como a avaliação do grau de maturidade em Indústria 4.0, a instituição de novas relações de empregadores e a requalificação de recursos humanos. “Muitas das profissões que poderão ser exercidas pelos seus filhos quando chegarem ao ensino superior ainda não existem. Isso exige uma requalificação e as empresas devem atuar em parceria para fazer isso acontecer”, considerou.

Olhando para o futuro, a escola de Mecatrônica do Senai, em São Caetano / SP, onde está montada uma planta modelo da indústria 4.0, desde 2016, oferece curso de pós-graduação onde alunos têm aulas práticas. O objetivo é estar no centro da discussão desse processo de mudança e o curso ser referência no Brasil.

“Considerada a quarta revolução industrial, a indústria 4.0 lança mudanças significativas na forma de pensar das empresas, na busca por conhecimentos e estratégias de produção e vendas. Cada vez mais, as empresas precisam estar preparadas para conviver com tecnologias como inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D e biotecnologia”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

Fabio Juchen Feira Fimma Brasil 2017

  • Fábio Juchen é editor chefe dos sites sortimentos.com
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