Projeto FIMMA Marceneiro 2017 alcança mais de 1,3 mil pessoas

Carlos Hoffmann - Projeto Fimma Marceneiro - Foto Desiree Ferreira
Carlos Hoffmann – Projeto Fimma Marceneiro – Foto Desiree Ferreira

O projeto FIMMA Marceneiro que tinha como objetivo disseminar a cultura empreendedora entre os pequenos empresários contou com um time de palestrantes que expuseram temas relevantes, criativos e inovadores sobre o segmento da marcenaria, para mais de 1,3 mil pessoas, entre os dias 29 e 31 de março de 2017, durante a Fimma Brasil, Feira Internacional de Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira, em Bento Gonçalves na Serra gaúcha.

O presidente da FIMMA Brasil 2017, Rogério Francio, iniciou as atividades do primeiro dia do projeto FIMMA Marceneiro na manhã de quarta-feira (29.03.17), celebrando a presença de um público eclético, que reunia empresários experientes e também jovens, mas com um objetivo em comum: adquirir conhecimento. De acordo com o executivo, a intenção da ação é disseminar a cultura empreendedora. “O projeto é interessante, pois coloca micro e pequenas empresas do ramo da marcenaria no mesmo patamar das grandes corporações. “A meta é passar um conjunto de informações relevantes para que, cada vez mais, estas pessoas tenham a oportunidade de ter empresas melhores. É qualificar para crescer”, afirmou.

O primeiro dia contou com quatro palestras ministradas por profissionais do setor moveleiro e criativo,
Design estratégico, Set up, Sustentabilidade e Móveis Híbridos foram temas do primeiro dia do FIMMA Marceneiro. O especialista em serviços técnicos e tecnológicos no SENAI, Renato Bernardi, falou sobre “Set up de Máquinas e sua Relação com o Planejamento e Controle de Produção – PCP“, tema que – segundo ele – pode determinar a rentabilidade de uma empresa.

Explicando que set up é o tempo total, desde a saída da última peça boa, contando a regulagem do equipamento, até a peça boa do próximo set up, o palestrante reforçou a importância da qualificação da mão de obra, pois o cliente não vai pagar pela ineficiência de uma empresa.

Bernardi destacou que a redução do set up aumenta disponibilidade do equipamento e a capacidade total de produção, diminui tempo de entrega, inventário, estocagem e taxa de rejeição, além de melhorar a utilização da carga horária do operador e eliminar o desperdício de capital e de investimentos.

Afirmando que “quem não mede, não sabe o que tem” e que “quem sabe fazer contas, não saberá ganhar dinheiro”, o profissional listou pontos como disponibilidade, performance, qualidade e eficiência do equipamento e questionou quantos empresários sabem a real efetividade destes. “Não usar estas informações faz com que se gere um preço errado”.

Bernardi destacou também que, muitas vezes, se perde para o concorrente por não ter preço ou por não ter prazo, e que o PCP tem que saber: o que fazer, quando fazer, quem deve fazer e como fazer. “Todos estão sendo competitivos. Quem não fizer isso, vai ficar para trás. Se você não for rápido, eficiente e cumprir os prazos, o cliente vai buscar outro fornecedor”.

Renomado designer brasileiro contemporâneo e pós-graduado em Economia Criativa e Cidades Criativas pela FGV, Marcos Batista, ministrou a palestra “Design Estratégico Aplicado ao Setor Moveleiro”.

Durante sua exposição, o profissional propôs importantes reflexões sobre as mudanças que o mundo passou e vem passando nos últimos anos, as transformações comportamentais e a criação de propósitos para a vida. “Hoje, todos têm informação e capacidade de alcançar seus objetivos”.

Batista destacou as organizações com modelo industrial, a velha economia. “Funciona? Funciona! Estão entre as 100 maiores do mundo? Sim! Mas é preciso olhar para o modelo das organizações exponenciais, a nova economia, aquelas que têm impacto positivo, que não faturam milhões, mas que têm curvas exponenciais, transparência e propósito social”, afirmou.

O designer também questionou a capacidade dos empresários em lidar com as transformações e necessidades de consumo: vender produtos ou solucionar problemas? Ter acesso ou posse? “Há um novo contexto e a evolução da espécie. É preciso um novo mindset. Entender se as pessoas querem esse produto ou apenas usufruí-lo”.

De acordo com Batista, a mudança no estilo de vida faz com que muitas pessoas optem por não adquirir por questões de sustentabilidade, conscientização, praticidade e preço. “A nova geração prefere ter conhecimento, viajar, vivenciar, e não ter mais tantos bens materiais. Isso é favorecido pela tecnologia”.

Segundo o palestrante, vive-se a sexta onda da inovação e o encontro de dois mundos: o que está indo e o que está chegando – causa uma zona de desconforto. “É preciso treinar a inovação”, aponta ele, que completa: “A indústria cuspia produtos. Não entenderam que precisava de network, autonomia, relacionamento, valores emocionais e experiências. É isso que as pessoas buscam”.

O designer apresentou dados sobre o ser humano, que, em 1900, demorava 100 anos para dobrar seus conhecimentos. Em 2014, esse tempo era de 13 meses e, em 2020, será de 12 horas. “Como acompanhar isso? A empresa precisa ter conhecimento e interatividade”.

Para ele, o ramo da marcenaria precisa estar preparado para o futuro, pois pode nascer a empresa que vai matar o segmento, e é necessário pensar nisso. “No mundo dos negócios, muitas vezes não se usa a ferramenta adequada. O design estratégico trabalha com conhecer o cenário – futuro provável; construir o cenário – o futuro possível e o futuro desejável”.

Batista salientou que entender o mundo ajuda a desenvolver estratégias, e defendeu aspectos como fazer diferente, saber o que o cliente quer, ter equipes multidisciplinares, um propósito, ser único, original, engajar pessoas, entre outros. “Não é o que se faz hoje, é o que se fará amanhã”, considerou.

Segundo o palestrante, é preciso parar de falar de produtos e serviços e passar a falar de emoções e das mudanças. “Não se trata de móveis, mas da história de pessoas”, disse, e completou: “Se você não participar das transformações, elas vão acontecer sem você”.

Com o tema “Inovação para Sustentabilidade da Marcenaria”, a diretora da rede social Marcenaria Sustentável, Simone Nascimento, deu início à sua explanação, ressaltando que o conceito de sustentabilidade baseia-se não só em aspectos ambientais, mas também financeiros e sociais. “Se a empresa que não consegue gerar lucro o suficiente e dar condições para gerações futuras seguirem com a operação, então não existe sustentabilidade”, destacou.

Criadora da rede de colaboração que permite a troca experiências entre marcenarias, Simone não deixou de enfatizar o valor das pessoas, que, para ela, representam o principal índice para aferir os resultados dos investimentos em sustentabilidade. “Uma empresa sustentável é aquela que traz resultados, é ambientalmente correta e socialmente justa, a começar pelo tratamento dado aos colaboradores e à comunidade em torno da marcenaria. Para isso, é importante estar focado em inovação, mas sem esquecer das pessoas”, considerou.

Para a palestrante, os marceneiros devem estar atentos não só à inovação disruptiva (aquela que apresenta algo que não existe ao mercado), mas também à inovação incremental, capaz de gerar retorno a curto prazo, até mesmo com investimento zero. “O importante é criar processos para que as ideias se transformem em produtos ou processos que gerem resultados. Inovação não acontece apenas com a implantação de um produto novo. Inovação precisa dar resultado para toda a cadeia de valor”, frisou, ao lembrar que a melhoria de processos pode começar pela busca de fornecedores, e reforçou: “O marceneiro precisa ver o fornecedor como um parceiro”.

Simone Nascimento ainda compartilhou com o público os resultados de uma pesquisa realizada juntamente com a Universidade de São Paulo –USP, que apontou os principais entraves à inovação na marcenaria. São eles: problemas mão de obra, falta de produtividade, má gestão financeira, pouco investimento em tecnologia e investimento em produto.

Como exemplo de inovação, trouxe o caso da marcenaria Santa Cruz, que obteve resultados em produtividade, qualidade e retenção de talentos, a partir da criação de uma política de cargos e salários. “É preciso inovar em processos, produzir mais e melhor no menor tempo possível. O primeiro passo é a organização da marcenaria”, concluiu.

Tendências de Móveis Híbridos – A importância de pequenas peças de móveis multiuso para compor o mix para o varejo multimarca

Para finalizar as atividades do primeiro dia, a supervisora de marketing e desenvolvimento de produtos da Berneck, Andrea Colin Corrêa, apresentou as tendências de móveis híbridos e como as marcenarias podem aproveitar essa possibilidade em seus negócios.

Ao contextualizar o tema, atentou para o perfil do novo consumidor, que alia a preocupação com questões econômicas, meio ambiente e sustentabilidade, a características nômades e à afeição pelo feito a mão. “A casa pode caber em uma mochila ou em quatro rodas. Esse novo tipo de imóvel gera um novo tipo de aproveitamento, onde os espaços precisam ser inteligentes. O novo consumidor não é apegado a casa, mas tem a questão do morar como algo muito forte”, informou.

O conceito de móvel híbrido remete à união de diferentes funções em um elemento. “O móvel com multifunções deixa de ser bonito para ser mais funcional. Uma mesma estrutura pode oferecer muitas possibilidades”, afirmou Andrea.

Para ilustrar, a supervisora de marketing exibiu em telão diversos móveis que trazem esse conceito, como uma estante repleta de bolsões que permitem ao cliente adaptar a peça à forma que melhor supra a sua necessidade.

Segundo ela, os móveis convencionais estão ganhando novas propostas. A exemplo das vitrolas tradicionais da década de 1960, que eram um móvel, hoje é possível ter um aparador que também abriga um pequeno jardim.

Por fim, Andrea apresentou alguns modelos de revestimento em madeira, que também podem ser conferidos no estande da Berneck na FIMMA Brasil 2017. “Trazer vida para um móvel também é brincar com a sensação do cliente, é trazer novas soluções, ampliar horizontes, com novos usos e novas formas”, opinou.

Na quinta-feira (30.03.17), aconteceram as palestras “Troca Rápida de Ferramentas”, ministrada por Fábio Lopes Ferreira, do Instituo SENAI de Tecnologia em Madeira e Mobiliário; “Marcenaria Artesanal”, por Fernando Mendes; e “Marcenaria na Era Digital”, por Jucielton dos Santos.

Já na manhã de sexta-feira (31.03.17), a dupla Alexandre Luis Franceschi e Márcio Zaffari, da Wirutex, falaram sobre “Novas Tecnologias em Ferramentas para o Setor Moveleiro”, o designer Eduardo Núncio, abordou “A Marcenaria no Salão Design”, e, para encerrar, Carlos Eduardo Hoffmann, da Marcenaria Novo Espaço, apresentou “Produção Conectada na Marcenaria”.

Hoffmann é marceneiro em Santa Catarina há 20 anos, e relatou em sua palestra como foi o início do seu negócio, quando tinha apenas três funcionários, contando com ele.

O palestrante destacou que o forte espírito empreendedor e a visão de mercado fizeram com que não parassem de buscar oportunidades e inovações, o que contribuiu para o desenvolvimento da empresa. “Fomos crescendo aos poucos. Primeiramente, compramos uma coladeira de borda para reduzir o tempo de trabalho e melhorar os acabamentos, o que já fez alguma diferença nos resultados”, recorda.

Na seqüência, realizou investimentos na aquisição de um software e em outras máquinas de corte e acabamentos. “Isso impactou no número de marceneiros contratados, reduzindo-o consideravelmente, e, em contrapartida, aumentou o número de auxiliares, com um custo bem menor”.

Segundo Hoffmann, o software exige um treinamento constante, para que seja bem utilizado nas suas inúmeras possibilidades. O sistema também teve que ser adaptado à linha de produção da empresa, e não o contrário. “Com a utilização do software há uma grande redução de perdas, tanto de tempo como de materiais, pois ele opera com grande precisão e a qualidade fica mais visível ao cliente”, considerou.

O marceneiro também listou os ganhos no tempo, no aproveitamento das chapas de madeira e na simplificação da montagem do móvel que a ferramenta digital promove. “Agora, os planos são de investir na área organizacional da empresa, que ainda não foi desenvolvida totalmente. Os equipamentos foram implantados e aos poucos fomos aprendendo a utilizá-los da melhor forma até que, ao final de um ano, estávamos alcançando melhores resultados em rapidez, acabamentos, qualidade, capacidade, produtividade e agilidade. A partir dele, a marcenaria atingiu um porte médio”, finalizou.

Fabio Juchen Feira Fimma Brasil 2017

  • Fábio Juchen é editor chefe dos sites sortimentos.com
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