Mitos e verdades sobre o colesterol

O colesterol não é sempre um vilão. A substância é a base para a produção de hormônios e auxilia na formação da membrana das células do corpo. Além disso, serve como uma capa protetora para os nervos. O colesterol é um tipo de gordura presente nas células, que é muito importante para a saúde e fundamental para o bom funcionamento do organismo.

De acordo com o cardiologista Mário Sérgio Cerci, do Hospital VITA Batel em Curitiba / PR, o mal está no excesso da substância, pois é um fator de risco para problemas cardiovasculares, que são as doenças que mais provocam morte, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto do miocárdio.

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de mortes no Brasil, e 50% dos ataques cardíacos poderiam ser evitados se os níveis de colesterol fossem controlados. Por isso, o médico recomenda que sejam realizados exames para medir as dosagens de colesterol e triglicérides.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada no fim de 2014 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, apontam que 12,5% da população brasileira têm colesterol alto. O problema é um dos fatores que contribui para cerca 300 mil mortes anuais causadas por doenças cardíacas.

O desenvolvimento das doenças cardiovasculares está associado a diversos fatores de risco que podem ser controlados com a mudança de hábitos de vida. “Alimentação rica em gorduras saturadas, sedentarismo, obesidade, pressão alta, diabetes, tabagismo, fatores genéticos e hereditários estão entre as causas que influenciam para o agravamento de problemas do coração”, explica Cerci.

 

Confira 5 alimentos que contribuem para o aumento do colesterol ruim:

1. Carnes – Alguns cortes de carne vermelha possuem muita gordura saturada. Por isso, deve-se optar por cortes magros. Além disso, toda a gordura aparente e também a pele do frango devem ser retirados e preparados na grelha.

2. Creme de leite – Produtos à base de nata – como manteiga e requeijão, devem ser ingeridos com moderação devido ao alto índice de gordura saturada e colesterol. Geralmente estão presentes de “forma invisível” em bolos cremosos, doces recheados e pães amanteigados.

3. Embutidos – Linguiça, mortadela, presunto, salame e salsicha em geral oferecem um exagero de gordura do tipo mais maléfico. Os de origem suína são os que mais concentram a gordura. Os embutidos menos nocivos são os preparados com carne de peru.

4. Frituras – Independente do óleo ou azeite utilizado, as gorduras trans (gordura vegetal que passa por um processo de hidrogenação natural ou industrial) estão presentes nas frituras. Elevam o mau colesterol e diminuem o bom colesterol. Por isso, deve-se preferir alimentos grelhados e assados. As gorduras trans estão presentes também em sorvetes, margarinas e bolachas recheadas.

5. Queijos amarelos – São os que apresentam maior teor de gordura saturada e colesterol. Deve-se escolher laticínios desnatados e queijos brancos – minas, cottage e ricota.

O cardiologista explica que esses alimentos não precisam ser banidos das refeições, o fundamental é reduzir a frequência e a quantidade e investir em formas de preparo saudáveis.

 

Sintomas – O colesterol elevado não apresenta nenhum sintoma, por isso, a maioria das pessoas nem sabe que possui o problema. A única forma de saber se há alteração é realizando um exame de sangue. “Daí a necessidade de realizar checagens anuais para descobrir e controlar o nível de colesterol”, enfatiza Cerci.

O colesterol não é solúvel no sangue, seu excesso necessita ser eliminado do organismo. A substância é necessária ao corpo, porém passa a ser prejudicial se os níveis no sangue estiverem acima do normal. O colesterol em excesso é depositado na parede das artérias, formando placas de gordura, que podem entupir as artérias e dificultar a passagem do sangue. Este entupimento é chamado de aterosclerose.

Tratamento – Os níveis de colesterol alterado têm controle relativamente fácil, que geralmente resume-se com dieta e prática de atividades físicas. Caso o resultado desejado não seja obtido, recorre-se ao uso de medicamentos (estatinas) para baixar o colesterol ruim de maneira mais efetiva.

 

O colesterol é formado por frações e as duas mais importantes são:

HDL – High Density Lipoprotein (lipoproteína de alta densidade), colesterol “bom”: Devido ao seu fator protetor, ajuda a remover o excesso do colesterol “ruim” do sangue e reduz o risco de formação de placas de gordura. Quanto maior a quantidade deste, melhor para o indivíduo.

LDL – Low Density Lipoprotein (lipoproteína de baixa intensidade), colesterol “ruim”: Contribui diretamente para a formação de placas de gordura, indicando risco aumentado de infarto, derrame cerebral e entupimento das artérias das pernas. Este deve estar presente em menor quantidade.

 

Níveis de colesterol – De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, os níveis ideais de colesterol no sangue devem ser:

Colesterol Total – abaixo de 200mg/dl de sangue;

Bom Colesterol (HDL) – acima de 35mg/dl de sangue;

Mau Colesterol (LDL) – abaixo de 130mg/dl de sangue. “Dependendo da existência de entupimentos, pode desejar um valor de LDL ainda mais baixo”, destaca o especialista.