Indústria nacional de pneumáticos sofre maior queda histórica nas vendas às montadoras

No primeiro trimestre de 2015 as vendas feitas pelos associados à ANIP – Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos – às montadoras tiveram uma queda de 20,7% (de 5, 067 milhões para 4, 020 milhões). Trata-se de um reflexo direto da queda de 16,2% na produção de veículos nos primeiros três meses de 2015 em relação a 2014, de acordo com os dados da Anfavea. Segundo o presidente executivo da ANIP, Alberto Mayer, os três primeiros meses do ano foram alarmantes para a indústria nacional de pneus, em especial no fornecimento ao setor de caminhões e ônibus, no qual a queda chegou a 41,8%. “Tivemos desde o final de 2014 uma série de fatores negativos para nosso mercado, que atingiu no primeiro trimestre de 2015 todas as categorias de montadoras às quais nossos associados fornecem: além do setor de carga, também caíram as vendas para camionetas (-21,1%), passeio (-17,2%), duas rodas (-17,3%) agrícola (-15,2%), OTR (-45,9%), industrial (-45,9%)”, enfatiza Mayer.

Na mesma linha seguiram as exportações, com perda de 15,6% passando de 3,482 milhões de unidades para 2,937 milhões quando comparado o primeiro trimestre de 2015 com o mesmo período do ano passado. “Os números comprovam a contínua perda da competitividade da indústria pneumática brasileira, mesmo com a desvalorização cambial ocorrida. Os países onde a vantagem logística poderia compensar, ao menos parcialmente esta falta de competitividade do produto nacional frente aos de outras origens, como Argentina e Venezuela, enfrentam problemas econômicos e políticos, que levou á uma drástica redução de suas importações. Com outros países da América Latina, potenciais compradores de pneus brasileiros, não há acordos comerciais facilitadores”, acrescenta o presidente da ANIP.

Com a queda na venda de veículos novos, o mercado de reposição de pneus se manteve positivo para os fabricantes nacionais, com crescimento global de 10,1% nas vendas do trimestre ante 2014. “A única queda no mercado de reposição para nossas associadas em conjunto ocorreu nas vendas de pneus de carga (-6,0%), refletindo o momento muito difícil pelo qual passa o setor de transporte rodoviário”, comenta Alberto Mayer. A expansão das vendas dos fabricantes do país no segmento também refletiu a queda nas importações totais de pneus em decorrência da mudança cambial e das medidas antidumping adotadas em 2014. A própria compra externa redução das associadas da ANIP, para completar suas linhas, teve queda de 31,8% passando de 1,741 para 1,188 milhões de pneus quando comparado ao mesmo período de 2014.

Na soma dos três mercados: montadoras, exportação e reposição, o fornecimento das associadas à ANIP por categoria no primeiro trimestre deste ano apresentou o seguinte desempenho: carga -17,6% (2,311 para 1,904 milhões); camioneta -7,4% (2,586 para 2,394 milhões); passeio +2,7% (9,327 para 9,575 milhões); duas rodas -3,7% (4,189 para 4,033 milhões); agrícola -7,9% (226 para 208 mil); OTR -13,5% (40 para 34 mil) e industrial + 3,2% (569 para 587 mil).

Produção
A produção total de pneus no primeiro trimestre deste ano teve um leve incremento de 2,6% passando de 18,06 milhões de pneus em 2014 para 18,53 milhões em 2015. “Em meio à atual conjuntura adversa no mercado consumidor, algumas empresas de nosso setor fizeram layoff ou férias coletivas para evitar dispensa de colaboradores. Isso se deve ao fato de que a indústria de pneus depende de profissionais qualificados, sendo por isso, um dos setores com a menor taxa de rotatividade no Brasil, de apenas 13,13%”, enfatiza o presidente executivo da ANIP.

A produção por categoria no primeiro trimestre: carga -5,6% (2,050 para 1,935 milhões); camioneta -6,2% (2,358 para 2,212 milhões); passeio +8,5% (8,836 para 9,586 milhões); duas rodas -,1,5% (4,022 para 3,961 milhões); agrícola – 10,9 (235 para 209 mil); OTR -16,6% (29 para 24 mil); industrial +16,1% (514 para 597 mil).