Herpes ocular: difícil de identificar, classificar e combater

Make Renata Almeida - Modelo Dandara Balbino - Fotógrafo Daniel Spalato

O herpes ocular é uma infecção provocada pelo vírus do herpes simples (HSV), mesmo causador do herpes labial. Entretanto, se este último é bastante evidente e de fácil diagnóstico, quando acomete os olhos a doença pode ser mal diagnosticada e tratada indevidamente – aumentando os riscos, inclusive, de o paciente perder a visão. Daí a importância de se consultar um bom oftalmologista que possa distinguir entre o herpes ocular, o herpes zoster (caudado pelo vírus da varicela), infecções, intoxicação ocular provocada por medicamentos etc. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cada ano surgem 50 mil novos casos da doença.

Assim como o herpes labial, que pode surgir novamente quando a imunidade da pessoa está em baixa, dados da Academia Americana de Oftalmologia (AAO) revelam que, depois do episódio inicial, há 27% de chance de acontecer novamente dentro de um ano, 50% em cinco anos e 63% em 20 anos. “Infecções recorrentes são de fato uma cruz carregada por muitos pacientes, já que a doença pode surgir desde a infância e voltar a incomodar de tempos em tempos. O herpes ocular pode acometer qualquer camada dos olhos, mas as manifestações mais comuns incluem blefarite (inflamação das pálpebras), conjuntivite folicular e ceratite (inflamação da córnea). Vale ressaltar que nada tem a ver com o herpes genital, que é uma doença sexualmente transmissível”, diz o médico Renato Neves.

De acordo com o especialista, geralmente a pessoa entra em contato com o vírus do herpes simples ainda na infância. “Em determinados casos, a criança é tratada de uma infecção moderada. O vírus invade os olhos e chega ao gânglio trigeminal, onde encontra ambiente propício para se instalar e se tornar latente. Quando, em determinadas fases da vida, a pessoa passa por episódios de estresse intenso, traumas ou ainda doenças que baixam sua imunidade, esse vírus faz o caminho de volta para a córnea e se manifesta com o herpes ocular. O tratamento imediato com medicamentos antivirais específicos ou antibióticos interrompe a multiplicação dos vírus em questão e impede que a doença continue destruindo as células epiteliais”.

Neves explica que, além do estresse e da baixa imunidade, problemas de saúde bucal, queimaduras de sol, traumas e períodos pós-cirúrgicos também podem agir como gatilhos para novos episódios de herpes ocular. “Mais da metade da população mundial já entrou em contato com esse vírus. O mais importante é que a doença seja devidamente diagnosticada e tratada, a fim de não se agravar – já que em casos severos o tratamento indicado é o transplante de córnea.”