Glaucoma já atinge cerca de 2% dos brasileiros acima dos 40 anos e é a principal causa de cegueira no país

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Para conscientizar a população no Dia da Saúde Ocular, 10 de julho de 2014, especialista do HCor mostra como identificar e tratar o problema que aparece de maneira súbita e está entre as doenças oculares mais frequentes no país com mais de 1 milhão de casos registrados

Doenças de vários tipos costumam demonstrar sinais bem claros, assim que contaminam o organismo. Por isso, ainda que sejam graves, podem ser tratadas antes de causar danos mais significativos. Por outro lado, algumas enfermidades se desenvolvem de maneira tão sorrateira que, quando finalmente manifestam algum sintoma aparente, já causaram estragos irreversíveis. Um bom exemplo disso é o glaucoma. “Esta síndrome é a principal causa de cegueira no país, justamente porque aparece de maneira súbita e se desenvolve de maneira bastante silenciosa. Por isso, é muito importante que a população fique atenta ao problema. Afinal, ele já atinge cerca de cerca de 2% dos brasileiros acima dos 40 anos de idade e está entre as doenças oculares mais frequentes no país, com mais de 1 milhão de casos registrados”, diz a oftalmologista Camila Ray responsável pelo Serviço de Oftalmologia do Hospital do Coração (HCor).

Para conscientizar a população sobre o perigo representado pelo Glaucoma no Dia da Saúde Ocular, nesta quinta-feira, 10 de julho, a Dra Camila aponta quais as causas e os sintomas da doença, além de sugerir maneiras de como identificá-la em seu estágio inicial. “O glaucoma acontece quando o nervo ótico sofre lesões em função de um aumento da pressão intraocular”, explica a médica. “Em geral, a doença costuma aparecer a partir dos 40 anos. Mas pode ocorrer mais cedo, caso a pessoa sofra, por exemplo, algum dano capaz de provocar essa mesma elevação de pressão da parte de dentro dos olhos”, afirma a oftalmologista do HCor lembrando que, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem aproximadamente 65 milhões de glaucomatosos em todo o mundo, sendo que, a cada ano, surgem mais 2,4 milhões novos portadores da doença.

Sintomas

No início, o Glaucoma é assintomático. Por isso, muitas pessoas só conseguem notá-lo quando o problema atinge o seu estado crítico. Neste estágio ocorre primeiramente a perda da visão periférica. Em seguida, o campo visual começa a ficar estreito, até assumir um formato tubular. “Depois disso, o paciente pode ficar cego, caso não conte com nenhum tipo de tratamento”, alerta a Dra Camila. “Em casos de glaucoma agudo, que já é outro tipo da doença, o paciente costuma sentir fortes dores de cabeça, fotofobia, enjoo e dor ocular intensa”, acrescenta a oftalmologista.

Diagnóstico

Dois sinais podem indicar a presença de Glaucoma em uma pessoa: pressão intraocular acima da média e lesões perceptíveis no nervo ótico. Para detectar esses dois sinais é preciso que alguns exames sejam realizados, como Tonometria de Aplanação, para medição da pressão intraocular; Fundo de Olho, para avaliar se existe lesão do nervo óptico, provocado por um possível caso avançado de glaucoma; Gonioscopia, para classificar o tipo de glaucoma que pode estar ocorrendo; e Campo Visual, para avaliar se há perda do campo visual.

Já o diagnóstico precoce da doença só pode ser obtido por meio de exames oftalmológicos de rotina. Por isso, a Dra Camila recomenda que pessoas já a partir dos 35 anos procurem um oftalmologista para fazer check-ups regulares. “Diabéticos e pessoas negras com mais de 30 anos – cujo o organismo é mais propenso ao desenvolvimento de pressão alta – também fazem parte deste grupo de risco”, afirma a oftalmologista do HCor. “O histórico familiar também é importante para o diagnóstico da doença. Afinal, cerca de 6% das pessoas com glaucoma têm ou já tiveram algum outro caso na família”, alerta.

Tratamento

Em um primeiro momento, o tratamento da doença é clínico e à base de colírios. Existem medicamentos via oral que podem ser indicados em casos de emergência. Porém, alguns tipos de glaucoma também podem estar associados a outros distúrbios, como diabetes e hipertensão. Por isso, requerem tratamentos e exames mais específicos. “Casos crônicos de glaucoma não têm cura e forçam o paciente a fazer uso de colírios e medicamentos por toda a vida”, explica a Dra Camila. “Portanto, vale a pena ficar atento e, caso a doença apareça, tratá-la antes que cause danos maiores”, aconselha a oftalmologista do HCor.

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