Vendas de veículos automotores caem 22,5% em 2016

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As vendas de veículos automotores, incluindo motocicletas e implementos rodoviários, além de automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, nas revendedoras autorizadas de todo o país caíram 9,32% em abril sobre março e 21,34% na comparação com abril do ano passado.

No primeiro quadrimestre de 2016, a comercialização recuou 22,52% em relação ao mesmo período de 2015. Os dados foram divulgados na terça (3.5.16) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). De janeiro a abril de 2016, foram emplacadas 1.064.521 unidades, contra 1.373.864 no mesmo período de 2015.

Os automóveis tiveram uma procura 10,58% menor do que em março e recuos ainda mais significativos em relação a abril de 2015 (-26,33%) e, no acumulado do ano, -26,40%.

Para o setor da distribuição de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros) o mês de abril apresentou queda de 9,32% em relação a março. Foram emplacadas 266.526 unidades em abril, contra 293.913 no mês anterior. Na comparação entre os meses de abril 2016 e o mesmo mês de 2015 (338.813 unidades), o setor automotivo registrou retração de 21,34% este ano.

Entre as maiores quedas em março último estão os caminhões (-13,07%). O presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, atribui a retração ao desaquecimento da economia.

Desemprego e Fechamento
O presidente da Fenabrave, disse que antes da crise financeira de 2008, de cada 10 propostas de financiamento, 70% eram aprovados e hoje o processo se inverteu devido ao rigor maior na concessão do crédito, insegurança de emprego e redução da renda. Diante do fraco desempenho, já deixaram de atuar no mercado 1.423 concessionárias desde janeiro e, no mesmo período, outras 382 empresas do gênero foram abertas. Em relação aos postos de trabalho, foram eliminadas 48.500 vagas.

De acordo com o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, o agravamento da crise política impacta diretamente na retração das vendas do setor automotivo. “A falta de uma visão clara de um futuro político e econômico faz com que os consumidores estejam mais contidos na realização de compra de bens e de investimentos, assim como os bancos estão mais cautelosos na oferta de crédito. Também as recentes notícias do aumento das taxas de juros sobre saldos devedores, somadas ao alto índice de desemprego, retardam o desejo de consumo da população. Esses e outros fatores resultaram na retração acumulada no primeiro quadrimestre deste ano”, argumenta.

Assumpção Júnior ressalta, ainda, que o menor número de dias úteis em abril também impactou o desempenho das vendas. “Em abril, tivemos três dias úteis a menos que o mês anterior, o que justifica a queda mais acentuada nos emplacamentos, pois, se considerados os dias úteis, as vendas diárias registraram uma pequena melhora, em torno de 5%, o que significam 668 unidades/dia emplacadas a mais que no mês de março”, analisa o presidente.

Projeções revisadas para 2016
Diante do atual cenário político e econômico nacional, a Fenabrave projeta quedas maiores que as inicialmente previstas nos emplacamentos de veículos para o ano de 2016. “O impasse político e os ajustes pendentes na economia mostram uma perspectiva mais negativa da que prevíamos no início deste ano, o que nos fez reavaliar as projeções para 2016”, pondera o Presidente da Fenabrave.

No novo estudo de projeções da entidade, os segmentos de automóveis e comerciais leves apontam queda de 20% em 2016.

Para caminhões, as perspectivas atuais são de redução de 23% nos emplacamentos de 2016 e, para implementos rodoviários, a queda pode chegar a 8,5%.

Para ônibus, a Fenabrave projeta retração de 21%.
O segmento de motocicletas deve permanecer com queda acumulada de 5% até dezembro.
A Fenabrave estima que todos os segmentos somados encerrem o ano de 2016 com queda de 15%.

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