Feira APAS 2016 – Consumidor adota novos costumes para economizar em meio à inabilidade econômica

Feira Apas 2016 - Associação Paulista de Supermercados - Foto divulgação
Feira Apas 2016 – Associação Paulista de Supermercados – Foto divulgação

A já tradicional Coletiva de Imprensa inaugurou a edição 2016 APAS – Feira e Congresso de Gestão Internacional, evento promovido pela Associação Paulista de Supermercados (APAS), ocasião em que foi apresentada a Pesquisa “Tendência do Consumidor”. O levantamento foi realizado em parceria com as empresas Nielsen e Kantar Worldpanel e divulgado em conjunto pelo presidente da APAS, Pedro Celso; o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Sanzovo Neto; o diretor de Economia e Pesquisa da APAS, Dinis Dias; o gerente de Economia e Pesquisa da APAS, Rodrigo Mariano; a diretora de Varejo da Nielsen, Daniela Spinha de Toledo; e a Diretora Comercial Senior da Kantar Worldpanel, Christine Pereira.

Durante a entrevista coletiva, foram apontados os novos costumes adotados pelos consumidores para diminuir os custos. Como uma escada em degraus, os compradores têm agido na seguinte ordem a fim de poupar dinheiro: de imediato, racionalizam os custos supérfluos e trocam as marcas que antes ofereciam produtos de primeira linha para outras que ofereçam os mesmos serviços em itens mais baratos.

Os consumidores também passaram a escolher produtos que oferecem opções de reembolso, tais como promoções, embalagens retornáveis, acúmulo de pontos e descontos fidelizados. Na mesma linha, aumentou a busca por itens que tragam um custo-benefício maior, ou seja, aqueles que sejam duradouros e aproveitáveis. Por último, o novo comportamento dos brasileiros neste cenário é o drástico corte do consumo fora do lar.

Estas mudanças de hábitos também mostram o que os consumidores brasileiros têm buscado preços mais baratos, abandono da conveniência de compra, caso seja necessário, e diversificação da lealdade das marcas. A Pesquisa mostra que, marcas que eram opções somente das camadas mais emergentes, estão se popularizando entre os consumidores de todas as classes.

Outro tema abordado foi a potencialização e incrementação das promoções. Segundo Daniela Spinha de Toledo, diretora de Varejo da Nielsen,“os consumidores estão muito mais atentos a promoções e preços disponíveis no mercado. Brasileiros que antes compravam sem comparar preços, hoje já não estão fazendo mais isso. Devido a esta mudança, os supermercados precisam perceber quais as áreas e setores reagem melhor às promoções, uma vez que nem sempre oferecer produtos mais baratos vai gerar, de fato, maior oferta e lucratividade”.

Neste período de crise, também foram apontados quais são os setores e áreas varejistas que mais crescem ou se mantém inalteradas durante a recessão. Em relação ao setor de bebidas alcoólicas, ficou constatado que os consumidores continuam comprando muito da mesma marca de costume, principalmente quando são realizadas promoções. De modo geral, o setor de bebidas alcoólicas é um dos poucos que apresentou variação da lealdade às marcas. Em contrapartida, o setor de mercearia e produtos de limpeza mostrou um maior número de perda de lealdade à marcas. O setor alimentício não perdeu seus clientes, já que oferece bens de consumo fundamentais às pessoas. O que se constatou é a adaptação de produtos e a busca por preços e marcas mais baratas.

Um dos pontos centrais que definem as novas características dos consumidores brasileiros é que, agora a grande maioria da população passou a fazer um planejamento familiar. Há cinco anos, as famílias brasileiras tinham a ideia dos custos fixos a serem pagos, mas não planejavam seus gastos. Neste novo cenário, houve uma mudança radical de comportamento: as famílias passaram a estipular o quanto gastar em determinadas atividades, adquirindo consciência do custo do consumo mensal nas mais diversas áreas.

Os especialistas também discutiram as características em comum dos consumidores brasileiros: hábito de comprar por impulso, a valorização pelo momento e pelo prazer, valorização de marcas e produtos, diferenciação do conceito de supérfluos, participação no mundo digital e preferência por compras on-line.

Outra nova tendência apresentada pelos consumidores é a compra por abastecimento. Este tipo de oferta tem atraído a grande maioria das pessoas em momentos de crise, visto que, ao escolher por esta opção, gastam 12% a menos e levam 9% a mais de itens.

Christine Pereira, Diretora Comercial Sênior da Kantar Worldpanel, argumentou que “atualmente existem gastos que se tornaram fixos no orçamento familiar que, até dez anos atrás, não existiam, tais como as contas de internet e TV por assinatura. Os brasileiros têm fidelizado seus gastos em comunicação para economizar em outros. O comportamento aponta para a volta dos consumidores ao lar. Houve uma diminuição de 8% do número de pessoas que deixaram de comer fora de casa em situações de lazer. Em oposição, não houve aumento da volta do consumo de telefonia pré-paga. Ou seja, o comportamento mostra que as pessoas estão preferindo economizar na conta de telefone pós-pago e fazerem festas em casa”.

Além das novas tendências e hábitos dos consumidores em tempos de recessão econômica, a Coletiva de Imprensa da APAS 2016 abordou também as principais estratégias que varejistas e comerciantes devem tomar neste momento de instabilidade econômica, a fim de minimizar custos e aumentar investimentos. Ficou claro que, enquanto o trinômio emprego, inflação e renda não voltarem a se estabilizar, os super e hipermercados precisam atentar-se aos novos hábitos e características dos consumidores.

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