Exposições de Ana Calzavara e Ruth Kelson na Gravura Brasileira

A Gravura Brasileira apresenta as exposições individuais:

“Pequenos erros sem importância” de Ana Calzavara e “Xilogravuras” de Ruth Kelson.

Ana Calzavara irá mostrar séries de obras em que a incerteza da vida é reiterada pelo seu processo de criação onde mínimos desajustes de registro, fragmentos e sobreposições coexistem.

Ruth Kelson trata do mito da Criação e Expulsão do Paraíso em xilogravuras dramáticas com forte contraste do preto e do branco.

Exposições Ana Calzavara Ruth Kelson Gravura Brasileira 2014 (2)

Pequenos Erros sem Importância

Pequenos erros sem importância, título que dá nome a mais recente exposição de Ana Calzavara na Galeria Gravura Brasileira, trata de agrupar fotografias e gravuras que remetem à ideia da não-exatidão, da falibilidade. O nome, tirado de um livro de contos do autor italiano Antonio Tabucchi, aponta para o processo de criação da artista – mínimos desajustes de registro, sobreposições que não coincidem, repetições, ausências, fragmentos. Esses trabalhos, de um modo ou de outro, falam da condição da incerteza, tão amada pelos barrocos, que a elevaram à metáfora do mundo. Mas ao mesmo tempo em que, em certa medida, não têm como vocação a procura pelo absoluto, também é fato que não se contentam com uma existência totalmente destituída de sublime, mas essa via sempre se dá a partir da experiência e da ordem do contingente. Daí a presença constante, na mostra, dos trabalhos em série, tentativas de falar das coisas não em uma única imagem que busca a essência, mas nas repetições que, numa passada regular e quase monótona, vão se somando até formar um sentido, discretamente. Ou, se única, é uma imagem feita de amálgamas, acréscimos, sobreposições, como num coro em que a beleza é apreendida na somatória de várias vozes em uníssono.

Exposições Ana Calzavara Ruth Kelson Gravura Brasileira 2014 (1)

XILOGRAVURAS

A Exposição trata de um dos grandes mitos da humanidade presente no Genesis: a criação e a expulsão do Paraíso. Estes temas recorrem em meu pensamento e em meus trabalhos. Qual a culpa de Adão e Eva? Qual a culpa de nossa humanidade, que se desempenha tão mal em ser o guardião do Jardim do Éden, conforme lhe foi ordenado? Quando adquirimos o terrível presente da Árvore do Conhecimento, estávamos preparados para ele? Ou seríamos como crianças desamparadas, expulsos com violência e indignação do lugar que nos abrigava e em nada igual à tarefa que tínhamos diante de nós?

 

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