ExpoAgas 2017 : supermercadistas trocam experiências e discutem soluções para o setor

Expoagas 2017 feira de supermercados Agas - Foto Dani Villar
Expoagas 2017 – Foto Dani Villar

Supermercadistas debateram “Soluções para o Varejo”, com abordagem de diferentes temas de interesse do setor, na quinta-feira (24.08.17), no encerramento da programação das palestras magnas na Expoagas 2017, feira e convenção promovida pela AGAS no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre / RS. Sob a mediação do coordenador de Capacitação da Agas, Francisco Brust, o grupo trocou ideias e experiências sobre prevenção de perdas, soluções de TI para melhorar a produtividade e gestão, sucessão familiar, e-commerce, engajamento de equipes, as novas regras para a manipulação e comercialização de carnes e fiambres, segurança alimentar e rastreabilidade do hortifrúti.

O grupo contou com a participação do vice-presidente da Agas, Ezequiel Stein; dos diretores Franck Müller, Eduardo Cidade, Lindonor Peruzzo Jr. e Patrique Nicolini Manfroi; do representante da Associação em Santa Maria, Gilberto Cremonese; e da presidente da Agas Jovem, Adriana Ortiz. A pauta teve início com o combate ao desperdício e o impacto nos resultados da empresa que, segundo Patrique Manfroi, do Comitê de Prevenção de Perdas da Agas, recebe pouca atenção dos supermercadistas. “Temos um câncer comendo nossos resultados”, sentenciou.

Devido a importância da questão, Manfroi sugeriu que seja criada uma área dentro das empresas para mapear processos e identificar riscos de perda, além de treinar equipe e definir metas. Segundo ele, a maioria dos supermercados identificou que 75% das perdas se concentram no açougue, padaria e hortifruti. E finalizou apresentando os próximos objetivos do Comitê de Prevenção de Perdas: ampliar a pesquisa/apuração das boas práticas preventivas que está disponível no site da Agas; estimular a criação de grupo de capacitação e fazer cartilha de dicas práticas para evitar fraudes e desperdícios.

As soluções de TI para solucionar e melhorar a produtividade e a gestão das empresas do setor foi o assunto conduzido por Lindonor Peruzzo Jr., do Comitê de TI da Agas. “A área da tecnologia é estratégica e não importa o tamanho da empresa. Todas devem investir em tecnologia e quem não estiver ligado, poderá ficar para trás”, afirmou. A tecnologia aliada a processos e pessoas pode ser obtida por meio de softwares de preços acessíveis e possibilitando ganho de tempo, produtividade e nos resultados. “No Brasil, estamos parados no tempo. Nos EUA já existem supermercados que entregam as compras aos clientes utilizando drones. E lojas, que já atuam há tempos no sistema self checkout (caixas sem atendentes). Temos que inovar”, disse.

Sobre o futuro dos supermercados em relação ao e-commerce, os participantes concluíram que cada empresa deve saber o momento de entrar nesse formato, mas que este é um caminho de mão única. Mesmo para alguns setores dos supermercados em que este momento pode demorar mais, como no caso dos perecíveis em que os consumidores ainda querem tocar, ver e sentir o aroma dos produtos. Portanto, aconselharam, que as empresas estejam preparadas.

Estar preparado também foi a conclusão que o grupo chegou após abordar a questão da sucessão familiar. Segundo a presidente da Agas Jovem, Adriana Ortiz, cerca de 95% das empresas no RS são familiares. “Determinar quem será o sucessor e prepará-lo para tomar as decisões é fundamental”.

Segurança alimentar

Preparar as pessoas para as mudanças que ocorrem ou ocorrerão nos processos de trabalho é tarefa do setor de Recursos Humanos em parceria com a TI da empresa. Conforme o grupo, a tendência é que os colaboradores tenham resistência às mudanças e é necessário engajar as pessoas para implementar o novo modo de fazer as coisas.

Franck Müller, do Comitê de RH da Agas, relatou um case de sua própria empresa. “Eu costumava promover uma reunião mensal com meus gerentes e sempre era muito duro nas palavras, na cobrança dos resultados. Comecei a perceber que minha postura estava refletindo negativamente entre minha equipe. Foi quando decidi mudar minha atitude, promover novas abordagens, incentivar e proporcionar capacitação do pessoal, além de elogiar mais as boas ações e características deles. Em pouco tempo foi possível sentir a melhora nos ânimos e nos resultados. Nosso maior valor são os colaboradores e devemos fazer esse trabalho de engajamento que deve ser constante”, finalizou.

A segurança alimentar foi o tema que fechou o encontro. O diretor da Agas, Eduardo Cidade falou sobre o Decreto nº 53.304, de 24 de novembro de 2016, que dispõe sobre a promoção, proteção e recuperação da Saúde Pública no que se refere ao armazenamento, porcionamento e de venda de produtos de origem animal como carnes e derivados, queijos, fiambres, e os demais produtos de fiambreria. Cidade afirmou que o tempo de entender o supermercado como apenas um ponto de venda passou. “É nossa responsabilidade também entregar produtos seguros para nossos clientes. Os supermercados podem vender o que quiserem desde que adequados à lei, dentro das regras”.

Os diretores defenderam a união pela causa da segurança alimentar e citaram como exemplo de má fé de alguns que comercializam carne a preços muito abaixo dos praticados no mercado. “Em 2016, mais de 8 mil cabeças de gado foram perdidas para o abigeato causando R$ 71 milhões de prejuízo ao Estado”.

A Agas produziu cartilha que está disponível no site com as regras determinadas pelo Decreto 53.304. “Somos parceiros do Ministério Público do RS nas campanhas pela segurança alimentar. Muitas ações que são desenvolvidas acabam por nos dar segurança também”, contou Cidade.

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