Neurologistas alertam para os principais causadores da enxaqueca

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Enxaqueca : Cuidados com a Saúde

Subitamente, fragmentos de luz ofuscam a visão como flashes. Em poucos segundos, dores latejantes tomam conta de um dos lados da cabeça, quase sempre acompanhadas de náusea, enjoo e hipersensibilidade tanto à luz quanto ao barulho do ambiente. Caso não reconheça esse cenário, considere-se uma pessoa de sorte. Afinal, é exatamente assim que mais de 40 milhões de brasileiros, com idade entre 25 e 50 anos, se sentem com frequência graças a um problema muito comum atualmente: a enxaqueca. “Crises de enxaqueca podem durar de quatro a 72 horas e atingem uma grande quantidade de pessoas no Brasil e no mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 90% da população mundial já passaram por, pelo menos, uma crise de dor de cabeça durante a vida, e 30% alguma crise de enxaqueca”, revela o neurologista Denis Bichuetti do HCor – Hospital do Coração.

Embora ainda não se saiba quais as causas exatas do problema, o especialista revela que a enxaqueca é o resultado de um desequilíbrio químico no cérebro que afeta neurotransmissores, a integridade de biomoléculas cerebrais e o fluxo hormonal neurológico. Ainda segundo o neurologista, a relação da enxaqueca com questões hormonais é, justamente, o que faz a doença ser mais comum entre as mulheres. “Na infância o problema se manifesta igualmente entre meninas e meninos. Porém, a partir da adolescência, mulheres costumam ter mais enxaqueca do que os homens numa proporção de quatro para um. Já após a menopausa, a quantidade de mulheres com enxaqueca em comparação com os homens diminui, mas continua maior”, esclarece.

Contudo, o médico ressalta que, em ambos os sexos, as crises de enxaqueca começam quando células nervosas em estado de muita excitação reagem a algum gatilho, geralmente externo, que varia de pessoa para pessoa, entre aspectos que vão de alimentação a hábitos comuns no dia a dia. “Quando algum gatilho ativa a enxaqueca, impulsos são enviados aos vasos sanguíneos cerebrais que sofrem um processo contínuo de constrição e dilatação. Neste momento, diferentes substâncias inflamatórias, como serotonina e as prostaglandinas, são liberadas no sistema neurológico, o que provoca a sensação de dor”, explica. “Por isso, podemos afirmar que é possível prevenir totalmente ou, pelo menos, reduzir de forma expressiva as crises, identificando e combatendo os fatores que desencadeiam este processo”, afirma o neurologista.

Robson Fantinato, também neurologista do HCor, acrescenta que a enxaqueca é uma doença com predisposição genética. “Portanto, é muito importante que os indivíduos que sofrem com o problema também procurem orientação médica”, finaliza.

Previna Crises de enxaqueca

Sono de má qualidade – Realmente provocar crises de enxaqueca. Porém, o fator mais grave está na mudança dos padrões de sono. Quando temos alguém que sempre dorme sete horas por noite e, de repente, passa alguns dias dormindo menos do que isso, ou até mesmo mais, é quase certo que essa pessoa terá uma crise. O ideal é procurar dormir de forma regular.

Estresse – Em excesso pode provocar crises. É importante saber controlar as atividades do dia a dia, assim como uma rotina balanceada entre trabalho, lazer e família.

Cheiros fortes – Pacientes com enxaqueca crônica também podem ter hipersensibilidade a certos odores, como de produtos de limpeza ou cosméticos. Recomenda-se evitar contato direto com esses produtos.

Luz intensa – É capaz de agravar as crises de enxaqueca, mas não as provocam. Nestes casos é recomendável diminuir o brilho da tela de notebooks e celulares nos casos em que for realmente necessário utilizá-los durante uma crise.

Álcool e alimentos industrializados – Bebidas alcoólicas, café, chocolate, queijos amarelos, enlatados e embutidos possuem um conservante em comum que pode provocar enxaqueca. Porém, portadores do problema não precisam evitar todos estes produtos completamente. Basta observar se o excesso ou consumo isolado de algum deles provoca crises. Outra dica é evitar jejum prolongado.

Enxaqueca pode ser confundida com AVC? – Bichuetti explica que a enxaqueca não é sintoma de AVC. “A dor de cabeça relacionada ao Acidente Vascular Cerebral – especialmente hemorrágico – é uma dor súbita e intensa que atinge seu ápice em menos de cinco minutos, o que é completamente diferente da enxaqueca”, esclarece o neurologista.