Dia dos Namorados 2017 : Serasa, SPC Brasil e CNDL apontam queda nas vendas. Já Boa Vista SCPC, diz que aumentaram

CDL POA e Sindilojas Porto Alegre esperam que frio incremente as vendas do Dia dos Namorados

As vendas do Dia dos Namorados 2017 tiveram a segunda queda consecutiva, segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio. Durante a semana da data, de 06 a 12 de junho, as vendas em todo o Brasil caíram 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No ano passado, o índice caiu 9,5% em relação a 2015, apresentando o pior desempenho desde o início da série, em 2006.

No final de semana do Dia dos Namorados (10 a 12 de junho), houve queda de 3,3% em todo o país na comparação com o final de semana equivalente ao do ano anterior (10 a 12 de junho). Na cidade de São Paulo, as vendas realizadas na semana do Dia dos Namorados caíram 1,9% ante a mesma semana do ano passado. No final de semana da data, as vendas tiveram queda de 4,4% em relação ao período equivalente de 2016.

Segundo os economistas da Serasa Experian, o ainda elevado patamar de desemprego e a reduzida confiança do consumidor na economia pesaram negativamente sobre as vendas dos Dia dos Namorados deste ano, embora o resultado tenha sido melhor do que no ano anterior, porém ainda se mantendo negativo.

Acompanhando o índice negativo para a data, o SPC Brasil e CNDL, aponta em pesquisa que movimento do comércio vem desacelerando desde 2011, sendo que o resultado de 2017 mostra uma queda menos intensa do que em 2016. Os dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que as vendas parceladas no Dia dos Namorados deste ano caíram -9,61% na comparação com o mesmo período do ano passado. Desde 2011 o ritmo do comércio para a data vem desacelerando, sendo que nos últimos quatro anos as vendas registram resultado negativo. Em ano anteriores, as variações foram de -15,23% (2016), -7,82% (2015), -8,63% (2014), +7,72% (2013), +9,08% (2012), +10,80% (2011) e +7,23% (2010).

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o resultado demonstra que a aguardada recuperação das vendas no varejo deverá ser, novamente, adiada. “Embora os juros estejam diminuindo e a inflação em patamar abaixo da meta, o comércio só deverá sentir os efeitos positivos do fim da recessão quando a recuperação econômica se refletir em aumento da renda e da empregabilidade, fato que ainda não aconteceu”, pondera a economista.

Na avaliação dos especialistas do SPC Brasil e da CNDL, ainda que o resultado seja negativo e venha de uma sequência de quatro anos seguidos de retração, a queda para a data em 2017 foi menos intensa do que no ano passado, o que pode indicar um rumo menos pessimista para o varejo nas próximas datas comemorativas.

Segundo o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, o comprometimento da renda e a menor oferta de crédito forçou o brasileiro a comprar presentes à vista. “Os consumidores estão mais preocupados em não comprometer o próprio orçamento com compras parceladas, por isso optaram por presentes mais baratos e geralmente pagos à vista”, explica. Uma pesquisa do SPC Brasil e da CNDL já apontava que o pagamento em dinheiro seria utilizado por 69% dos compradores, com ticket médio de R$ 124,00. Roupas (30%), perfumes e cosméticos (18%), calçados (11%), acessórios como cinto, óculos e bolsas (9%), flores (7%), chocolates (5%), jantares (4%) e smartphones (3%) lideraram a lista de presentes mais procurados.

Evolução ?
Já os dados da Boa Vista SCPC mostram que em 2017 as vendas reais do comércio para o Dia dos Namorados aumentaram 2,6% quando comparadas a 2016, registrando a primeira elevação depois de dois anos consecutivos em queda. Em 2016, as vendas diminuíram 5,8% em relação ao mesmo período de 2015, enquanto em 2015 o resultado foi negativo em 0,5%.

Já o resultado do faturamento das vendas para o período, estimado em parceria com a FecomercioSP, foi de R$ 44 bilhões, já ponderando a elevação de 2,6% do período prévio à data comemorativa. Com isso, a diferença em relação ao mesmo período de 2016 foi de R$ 1,9 bilhão e, portanto, o faturamento total aumentou 4,5%.

Em decorrência da amenização da inflação, queda dos juros, uso de recursos do FGTS, entre outros fatores, a disposição das famílias em consumir começa a apresentar alento, colaborando para que o movimento observado para o Dia dos Namorados seja o terceiro dentre as datas comemorativas a apresentar alta, mostrando novo indicativo de recuperação do comércio neste ano.

Metodologia
O cálculo do volume de vendas para o Dia dos Namorados de 2017 é baseado em uma amostra das consultas realizadas no banco de dados da Boa Vista SCPC, com abrangência nacional. Para este Dia dos Namorados foram consideradas as consultas realizadas no período de 1º a 12 de junho de 2017, comparadas às consultas realizadas entre 1º e 12 de junho de 2016.