Debora Bloch diz ser a favor do aborto e da legalização das drogas para a revista 29Horas

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A revista 29HORAS, publicação oficial do Aeroporto de Congonhas/SP, destaca em sua capa de abril/2016 a entrevista exclusiva com Debora Bloch. A atriz conta como começou sua carreira, a importância do teatro para sua vida, os trabalhos que ela está envolvida e sua opinião como mãe sobre assuntos polêmicos como legalização das drogas e aborto. A edição de abril também apresenta um especial sobre o sucesso do Brasil com o agronegócio.

Filha do também famoso ator Jonas Bloch, Debora conheceu o teatro desde garota, acompanhando e presenciando muitos ensaios do pai em sua casa. Um deles marcou muito sua infância. Ao presenciar uma luta de esgrima entre Jonas e o já falecido ator Walmor Chagas durante a preparação para uma peça da época, a menina esperta e sardenta viu o palco como um projeto de vida. “O teatro é minha religião, exerço minha espiritualidade através dele”, conta a atriz. Recentemente, Debora se emocionou ao ver o mesmo acontecer com a filha Julia Anquier, fruto do seu casamento que terminou em 2006 com Olivier Anquier. A primogênita havia ganhado um prêmio nos Estados Unidos pela adaptação de um texto para o cinema, roteiro do qual a jovem viu a mãe ensaiando em casa com o ator e diretor Guilherme Weber. “Achei que ela estava achando aquilo tudo muito chato. Mas você vê o poder que tem uma leitura, um ensaio em casa?”, questiona.

O trabalho mais recente da atriz é a peça “Os realistas”, que tem texto de Will Eno, direção de Guilherme Weber e conta com os atores Mariana Lima, Fernando Eiras e Emilio de Mello. A atriz conta o que a seduziu neste texto: “Acho que ele tem duas coisas muito fortes. Tem uma linguagem contemporânea desses personagens solitários e, ao mesmo tempo, fala sobre a dificuldade de lidar com a finitude”, afirma. “Hoje se divide no mundo só a alegria, a beleza. Todo mundo é feliz nas redes sociais. Cada vez menos as pessoas dividem suas tristezas, seus medos, suas angústias”, completa. Já na TV, Debora aparecerá ainda este ano na mininovela “Justiça” da Rede Globo, de Manuela Dias e direção de José Luiz Villamarim.

No bate-papo com a Revista 29HORAS, Debora explica porque o aborto é um direito da mulher. “Acredito mesmo que o aborto deve ser legalizado. Não por mim, por que eu faço parte de um grupo de mulheres que se precisar recorrer a isso, vai ter recurso para fazer com segurança. Mas a maioria das mulheres morre fazendo aborto”, explica. “A ONU colocou o aborto como direito humano. Eu não sou a favor, não faço apologia a isso. Nenhuma mulher quer abortar, quando toma essa atitude é por falta de escolha. Sou a favor do direito ao aborto, de fazê-lo de forma segura, caso a mulher precise dele. E só tem um jeito disso acontecer: legalizar”, completa. Ainda sobre legalizações, a atriz fala sobre as drogas e por que acha que não autorizar o uso desses entorpecentes é um erro, já que, segundo ela, a legalização não vai fazer as pessoas ficarem malucas, mas sim viver sob a violência do tráfico e da ilegalidade das drogas. “A fase da Lei Seca nos Estados Unidos, em que o álcool era proibido, levou aos gângsteres, à violência e à contravenção. O mesmo acontece no Rio com as drogas: os traficantes precisam estar armados para poderem fazer os negócios deles. Na hora em que eles precisarem dar nota fiscal e pagar imposto, não precisam de arma”.

Ao relatar seu sentimento sobre essa fase de alta instabilidade política no Brasil, Debora fala de sua infância. “Cresci sob a ditadura militar, época em que as pessoas não podiam votar para presidente. Fui a muitas passeatas pelo voto direto. Nós conquistamos o voto direto, nós votamos para presidente. Votou-se num presidente que se acreditava, um homem trabalhador. E ai a gente está vendo esta lama, essa falta de ética, de gestão de compromisso com a população. Quando você vê milhões e trilhões pra cá e pra lá, vê quantos professores poderiam estar sendo bem remunerados… dá uma desesperança louca”. A atriz também criticou a onda de conservadorismo que o País vive. “Tem um conservadorismo muito perigoso, e que me deixa assustada. Nunca pensei que um dia eu fosse ver pessoas defendendo a volta dos militares. São pessoas ignorantes, porque não têm a menor ideia do que foi um governo militar. Se tivessem, não estariam dizendo isso. É uma onda muito louca, retrógrada e perigosa”, comenta.

Foto: Divulgação

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