Brasileiros pretendem gastar menos com presentes para o Dia da Criança 2016

Pelo segundo ano consecutivo os brasileiros pretendem gastar menos com presentes no Dia da Criança

Os brasileiros pretendem gastar menos com as compras de presentes para o Dia da Criança 2016, segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor, divulgada na quinta-feira (06.10.16) pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). A pesquisa foi feita no período de 1º a 22 de setembro de 2016 com 2.101 domicílios em sete capitais brasileiras.

O indicador que mede a intenção de gastos para a data atingiu 59,3 pontos este ano, menor valor da série histórica, mantendo a tendência declinante iniciada em 2014, quando atingiu 85,6 pontos. Em 2015, o indicador de ímpeto de compras ficou em 63 pontos. “Houve estabilidade em 2012 e 2013 e a partir daí, o indicador começou a cair”, disse a economista Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor. A proporção dos consumidores que tencionam reduzir os gastos no Dia da Criança aumentou de 41,1% para 44,9%.

Segundo a economista, isso é um reflexo da cautela de todo o período de recessão que o país atravessa. “Há uma melhora nas expectativas dos consumidores para os próximos seis meses, mas ainda a intenção de compra se mostra cautelosa. Apesar de os consumidores estarem com perspectivas mais favoráveis para o futuro, eles ainda estão cautelosos, preferem não arriscar no momento em relação às compras que não são uma necessidade básica, digamos assim”.

Viviane disse que a continuidade da tendência de queda da intenção de compras vai depender de alguns fatores. A cautela das famílias, no momento, é reflexo de um orçamento mais comprometido com prestações anteriores e também pela alta taxa de juros, que influencia no valor dos gastos, com amortização de empréstimos, com financiamentos, e com uma inflação que agora começou a ceder na parte de alimentos, mas vinha se mantendo elevada, e um mercado de trabalho que ainda não voltou a se recuperar. Ela disse que se houver alguma mudança nesses fatores, que são os principais influenciadores da cautela das famílias, há possibilidade de melhoria da intenção de compra, mas não em uma velocidade significativa. “Pode ser, provavelmente, gradual”.

Valor médio
O valor médio dos presentes para o Dia da Criança, apurado pelo Ibre, ficou em R$ 79,63, mostrando queda real, isto é, descontada a inflação, de 6,3% em relação ao valor médio de 2015 (R$ 85). A faixa de renda que mais contribuiu para a redução do preço médio de presentes no Dia das Crianças, este ano, foi a dos que recebem até R$ 2.100 por mês, cujo valor caiu 12,2% em comparação ao ano anterior, passando de R$ 54,17 para R$ 47,58. Na faixa de renda de R$ 4.800 a R$ 9.600 mensais, a queda média atingiu 2,7% (de R$ 83,22 para R$ 80,95). Na faixa de renda acima de R$ 9.600, o preço médio dos presentes foi o mais alto (R$ 122,54 este ano), apesar de indicar também queda ante o preço médio apurado em 2015 (R$ 130,80).

A preferência dos consumidores para os presentes no Dia da Criança é liderada por brinquedos, com 55,4% das intenções por este tipo de presente, embora mostre redução em relação ao ano passado, quando alcançou 58,2%. Segue-se vestuário, com 24,5%, sinalizando estabilidade frente a 2015 (24,4%). O mesmo ocorreu em relação a livros (5,3% em 2016 contra 5,6%, em 2015), a dinheiro (2,8% contra 2,9%) e a eletrônicos (1,6%, este ano, ante 1,5%, no ano passado). “Brinquedo, realmente, é o presente mais citado”, disse Viviane Seda Bittencourt.

Da mesma forma que no preço dos presentes, a sondagem observou que a queda na intenção de compras de bens duráveis foi mais forte na faixa um (até R$ 2.100). O indicador era 57,4 pontos, em 2015, e caiu para 43,6 pontos, este ano, “o menor dentre as faixas de renda”, disse Viviane. Na faixa de renda mais alta, acima de R$ 9.600/mês, ao contrário, foi registrado aumento da intenção de compras, que subiu de 68,9 pontos, no ano passado, para 73 pontos, em 2016. “Foi a única renda que não houve diminuição da intenção de compra”.

Como foi o preview em 2015 – Brasileiro planeja gastar menos no Dia da Criança 2015, diz SPC
Um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em todas as capitais, mostra que 41,2% dos consumidores pretendem gastar menos com presentes no Dia das Crianças deste ano, na comparação com a mesma data do ano passado.

Em 2015, o indicador do SPC Brasil de consultas para vendas a prazo mostrou recuo em todas as datas comemorativas até agora, na comparação com o ano anterior: -4,93% na Páscoa; -0,59% no Dia das Mães; -7,82% no Dia dos Namorados e -11,21% no Dia dos Pais. Segundo o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, a sondagem das vendas para o Dia das Crianças mostra que, assim como nas demais datas comemorativas, o resultado de vendas deve ficar abaixo do registrado em 2014.

“Tal resultado pouco animador é reflexo direto da situação econômica. Com o avanço da inflação e piora nos indicadores de emprego, o brasileiro se depara com menos renda disponível”, avalia Pinheiro. “Isso resulta em gastos mais modestos ao longo de 2015, seja pela necessidade de se ajustarem a um orçamento mais apertado, seja por estarem temerosos de que a crise ainda se estenda por mais tempo.”

Endividamento e diminuição da renda impactam na intenção de gastos
De acordo com a pesquisa, para 22,1% dos entrevistados que pretendem gastar menos, o endividamento é a principal razão para a diminuição dos gastos no Dia das Crianças – mesma razão se destacou ao levaram os consumidores a gastarem menos também no Dia dos Pais, em agosto. Outros motivos relatados pelos entrevistados foram a inflação e a instabilidade econômica (17,0%), e a necessidade de economizar (14,2%).

Para o presidente da CNDL, é forte o impacto da piora das condições da economia brasileira, aliada ao aumento nos preços dos produtos e serviços por conta da inflação. Para 40,0% dos entrevistados, a situação financeira piorou em relação a 2014, sendo a principal justificativa a diminuição da renda.

Gastos podem ter queda de 43% em relação a 2014
Ainda que a crise econômica impacte na desaceleração das vendas desse ano, os presentes das crianças não irão faltar. Mesmo que pretendam gastar menos, a maioria dos entrevistados garante que vai comprar algum presente para seus filhos (57,2%), sobrinhos (22,4%) e/ou netos (17,4%). Cerca de 78,8% dos entrevistados que pensam em comprar presente esse ano, também compraram algum presente em 2014.

O levantamento do SPC Brasil mostra que, em média, os entrevistados pretendem comprar dois presentes, com uma expectativa média total de gastos de R$ 159,64. Este valor representa uma queda de 43,0% de gastos com os presentes, quando comparado a 2014 (R$ 280,48). Para 42,6%, as despesas não ultrapassarão os R$ 100,00. Vale destacar, no entanto, que 42,9% dos entrevistados ainda não sabe ou não decidiu o valor da compra.

Pagamento em dinheiro
Com relação à forma de pagamento dos presentes do Dia das Crianças, os consumidores mostraram preferência pelo dinheiro (49,5%), em especial os consumidores das classes C, D e E (56,2%). A segunda maneira mais citada foi o cartão de crédito parcelado (22,2%). Dentre os que irão parcelar, três ou quatro vezes são as opções mais usuais entre os entrevistados.

“Com a atual conjuntura econômica, em que as pessoas se veem obrigadas a cortar despesas para driblar a inflação e estão menos seguras em seus empregos, o ideal é evitar o abuso de parcelamentos e realizar todos os pagamentos à vista”, analisa a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “Nesse ponto, quase a metade dos entrevistados está indo pelo caminho certo, ao pagar em dinheiro.”

22% dos filhos escolhem seu próprio presente
Os presentes preferidos pelos consumidores para presentearem no Dia das Crianças são as bonecas e bonecos, entre 34,7% dos entrevistados. Logo após, aparecem as roupas (32,7%); aviões e carrinhos de brinquedo (18,3%) e jogos educativos (18,3%).

O local de compra que mais se destacou foi o shopping center, citado por 48,9% dos compradores. Em segundo lugar, aparecem as lojas de rua ou de bairro (29,6%), seguidas pela internet ou lojas virtuais (15,9%). A comemoração será principalmente em casa, escolhida por 59,4% dos entrevistados.

As promoções e descontos são as principais motivações (66,8%) para entrar na loja e realizar a compra, além do preço (36,0%), e da qualidade (29,1%). “É sempre bom analisar todos os detalhes e comparar com outros lugares para ver se a compra será, de fato, vantajosa”, afirma Kawauti.

Os pais e mães também têm que tomar cuidado na hora de decidir o presente que irão dar. Quatro em cada dez (43,6%) entrevistados afirmaram que o escolhem sozinho, número que aumenta entre as mulheres (52,2%). Entretanto, é relevante a porcentagem dos filhos escolhendo seus próprios presentes: 22,0%. “Na hora de comprar o presente, a criança dificilmente vai reparar no valor. Cabe aos pais, tios e avós se atentarem a isso e terem a firmeza de dizer se poderão ou não comprar”, diz a economista. “Pode ser difícil tomar essa atitude, mas com certeza evita o endividamento e o orçamento em casa agradece”.

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