Fiesp, CNI e Fecomércio SP e RJ avaliam a decisão do Copom em manter a Selic aos 11% ao ano

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Os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) decidiram manter a taxa básica de juros (Selic) em 11% ao ano, de acordo com comunicado divulgado na tarde de quarta-feira (16.07.14). Confira a posição da FiESP, CNI e Fecomércio SP e RJ em relação a manutenção do valor da Selic.

 

 

Fecomercio SP – Copom acerta ao manter Selic aos 11% ao ano
Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a medida foi correta em um cenário ainda complicado de manutenção dos indicadores inflacionários em níveis elevados e de baixo crescimento econômico. Semana passada, a Entidade já previa a manutenção da Selic. O Copom optou, portanto, pela cautela antes de assumir postura mais conservadora – elevando o custo da dívida pública e dos financiamentos sem necessidade -, ou mais ousada – ampliando o risco inflacionário de forma precoce. A decisão sinaliza que os integrantes da autoridade monetária estão atentos à difícil tarefa para os próximos meses, após a realização da Copa do Mundo de Futebol e o início do período eleitoral. Sem interferências externas, dependendo do comportamento da inflação, eles poderão até aumentar a Selic nas próximas reuniões para a faixa compreendida entre 11,5% e 12% anuais. Dessa forma, a Federação projeta que a partir de 2015 o IPCA tenderá ao centro da meta – de 4,5% ao ano.

 

Fecomércio RJ – Decisão do Copom é compatível com a conjuntura econômica doméstica
Nos últimos anos, o país passou a conviver com viés desfavorável na condução da política fiscal, o que acabou por onerar ainda mais o já elevado custo país – a engessar empresários, em geral, e a ponta da produção na concorrência com importados, em particular. Como resultado, colhemos crescimento baixo, inflação mais forte, arrefecimento do consumo e da geração de emprego. Por sua vez, com 68% da dívida líquida do Setor Público atrelada à Selic, os seguidos aumentos dos juros básicos agravaram o quadro. É necessário analisar com cautela e profundidade as reais causas das recentes pressões inflacionárias no Brasil. Tomar os juros como único instrumento para conter a inflação gera impactos sobre empresários de menor porte e consumidores. O empresário do setor paga caro demais para realizar investimentos, melhorar sua estrutura e ampliar seu negócio, além de toda a carga de impostos que incide sobre a atividade comercial. É hora de entender as raízes dos desafios em jogo, de avançar em reformas, como a tributária, em detrimento de ações pontuais e de efeito limitado, por um círculo – de fato – virtuoso de desenvolvimento no Brasil.​​

 

CNI – Manutenção dos juros deve ser acompanhada de medidas de ajuste fiscal
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter os juros básicos em 11% ao ano foi acertada e evita o aprofundamento dos obstáculos enfrentados pela economia brasileira. “Uma eventual alta dos juros, com majoração do custo de financiamento dos projetos de investimento industrial e do crédito ao consumo, agravaria as dificuldades da atividade produtiva”, observa a instituição. A CNI lembra que a recente aceleração na inflação, que levou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a 6,52% no acumulado em 12 meses, é preocupante. Entretanto, os indicadores de produção mostram um cenário de atividade econômica desaquecida. A produção industrial, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), caiu pelo terceiro mês consecutivo em maio. A média das expectativas de mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que constam do Boletim Focus recuou para 1,05% em 2014.

Diante disso, destaca a CNI, as iniciativas para o controle da inflação devem recair sobre outros instrumentos que não a política monetária. “É crucial que a decisão de manter juros estáveis seja acompanhada de medidas fiscais menos expansionistas e de maior foco na manutenção dos investimentos públicos. Sem uma ação coordenada, corre-se o risco de um cenário ainda mais preocupante: crescimento próximo a zero e inflação acima da meta”, analisa a entidade.

 

FIESP – manutenção da taxa Selic nesse patamar mantém o risco da economia brasileira
Para Benjamin Steinbruch, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, a manutenção da taxa Selic nesse patamar mantém o risco da economia brasileira, que ingressa na recessão. Um amplo conjunto de indicadores mostra que a atividade está fraca na maioria dos setores. A produção industrial no segundo trimestre será, muito provavelmente, o quarto trimestre consecutivo de queda, configurando um quadro recessivo na indústria de transformação. Nos demais setores, como o de comércio e serviços, indicadores mostram que o pessimismo e a morna atividade prevalecem. “A confiança do empresariado não é uma simples questão de humor. Sua base é formada no crescimento das vendas, capacidade de produção, desempenho do mercado. Quando a demanda enfraquece e não se vê possibilidade de reversão no curto prazo, a confiança diminui e o investimento se retrai”, afirma Steinbruch. “É preciso reduzir a taxa de juros para estimular a demanda da economia, os investimentos produtivos e recolocar o país na rota do otimismo. O Brasil precisa de uma política econômica que promova o crescimento, crie rendas e gere empregos”, conclui o presidente da Fiesp.