Belo Horizonte – Ocupação da Funarte MG causa adiamento de espetáculo

O Especulador de Olhos Invisiveis de Carne Naava Bassi

A ocupação da sede da Funarte MG por ativistas da classe artística e movimentos sociais, desde domingo (15.05.16), levou a direção da Fundação a fechar o Galpão 3 e Galpão 1 por motivo de segurança ao patrimônio. A decisão resultou no adiamento das apresentações do espetáculo “O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne”, dirigido pelo coreógrafo e bailarino João Andreazzi – que estaria pela primeira vez em Belo Horizonte, do dia 20 a 22 de maio, no Galpão 3. O workshop gratuito de dança contemporânea que seria ministrado por Andreazzi também está adiado. Novas datas serão divulgadas em breve. A Funarte MG, informa que os demais galpões do espaço estão abertos à ocupação artística.

O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne
O espetáculo envolve a sensação de sufocamento das grandes cidades, pela especulação imobiliária, pela má utilização e distribuição do solo, entre outras questões. O texto “O Despovoador” de Samuel Beckett – escrito no final da década de 60 – serve como importante inspiração e provocação para a criação, além de se alinhavar a outras fontes inspiratórias fundamentais, como o retorno aos locais visitados, em 1999, pela Cia. Corpos Nômades – e revisitados em 2014 e 2015, com o intuito de se observar as modificações ocorridas. Os locais são: a região centro-norte da cidade de São Paulo, na extinta Favela do Gato, nas aldeias dos índios Guaranis, na região noroeste (Pico do Jaraguá) e na Zona Sul (Krukutu e Tenondé-porã).

Estes alinhavos feitos com diferentes texturas e sensações, somados aos pensamentos de Deleuze e Guattari sobre o Capitalismo e a Esquizofrenia, deram de forma estranha e inquietante os tons da dramaturgia às coreografias, brotando, desta junção, as ditas “coreodramaturgrafias” – termo que designa as junções: movimentos vocais e corporais, textos, projeções, trilha sonora, elementos cênicos com as coreografias.

Corpo Nômade
“O Especulador De Olhos Invisíveis De Carne”, dirigido pelo coreógrafo e bailarino João Andreazzi, resgata o princípio da ideia do “corpo nômade”, inquietação artística de Andreazzi, dando sequência a uma pesquisa iniciada há 16 anos, cujo lugar/foco foi a extinta Favela do Gato – hoje conjunto habitacional do Parque do Gato – e a Cultura Guarani, nas aldeias Krukutu e do Jaraguá.
:: Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) – bilheteria abre com 2 horas de antecedência. Lotação: 100 pessoas.

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