Economia de Caxias do Sul tem queda de 17,2% em janeiro de 2017

Desempenho da economia de Caxias do Sul foi apresentada em coletiva de imprensa – Foto :Francine Spiller CIC

O índice da queda do desempenho da economia de Caxias do Sul no primeiro mês de 2017, em relação a dezembro de 2016, foi de 17,2%. Janeiro, por tradição, sempre apresenta desempenho inferior ao mês anterior. A demanda menor e as férias coletivas e escolares acentuaram o percentual de queda na economia. Os três segmentos – indústria, comércio e serviços – tiveram recuo em suas atividades na comparação com dezembro. O comércio, porém, teve o pior desempenho: menos 40,9%. A indústria foi o segmento cuja queda foi menor, com 10,8%. Já os serviços caíram 15%, conforme mostra o levantamento divulgado na terça-feira (7.3.17) pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) e Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).

O estudo mostra que na comparação entre janeiro de 2017 com janeiro de 2016, a indústria registrou queda de 7,2% e o comércio, de 24,9%. Os serviços registraram redução de 16,9%. Com isso, a queda no desempenho da economia foi de 13% nesse comparativo. Na análise dos últimos 12 meses, a economia também apresentou desempenho negativo de 13%. De acordo com o diretor de Economia, Finanças e Estatística da CIC Astor Schmitt, apesar do mau desempenho, a economia de Caxias do Sul mostra tendência de recuperação. “Mês a mês, os números estão fazendo o caminho de volta. A retomada está sendo lenta e em ritmo bem menor do que gostaríamos, mas ela está acontecendo”, ponderou Schmitt.

Alguns indicadores econômicos brasileiros estão melhorando e deverão influenciar o desempenho da economia local, na opinião do diretor. “A inflação está baixando, os juros estão caindo, os investimentos externos começaram a fluir e o País terá uma de suas melhores safras. Isso impactará positivamente na economia”, argumentou o diretor da CIC.
Todos os componentes que servem para apurar o Índice de Desempenho da Indústria (IDI/Caxias) apresentaram retração em janeiro em relação a dezembro. No acumulado dos últimos 12 meses, o IDI/Caxias registrou queda de 11,6%.

Empregos – No saldo do mercado de trabalho local, o levantamento mostrou que em janeiro, na comparação com dezembro de 2016, foram criados 726 postos em Caxias do Sul, um aumento de 0,5% no total de empregos formais no município. A agropecuária foi o segmento que apresentou melhor desempenho na geração de vagas, com 548 novos postos de trabalho. A indústria oportunizou a criação de 234 empregos. No comércio houve um saldo positivo de contratações da ordem 726 vagas, representando um aumento de 28,0%. Em doze meses o saldo negativo acumulado é de -6.730 vagas, um resultado superior ao de dezembro, que registrou -7.030, Novembro -8.008, Outubro -8.367, setembro -9.995, agosto -10.709, julho -12.849 e de Junho -14.178. Com o resultado de janeiro de -4,26%, percebe-se uma melhora em relação ao mês anterior, que foi de -5,17%. O comércio em janeiro apresentou um saldo negativo de contratações de 106 vagas, uma variação de -0,40%. No ano, o saldo de contratações é negativo de 106 vagas. Já no acumulado de 12 meses, o comércio apresenta um saldo negativo de -14 vagas, o que corresponde a uma variação negativa de -0,05%. Os resultados revelam um quadro de estagnação no setor. O setor mais penalizado continua sendo a indústria de transformação, que acumula um saldo negativo de 4.283, saldo inferior ao de dezembro, de 4.798, novembro de 5.347, outubro de 5.828, setembro com 6.970 vagas. Hoje, Caxias do Sul possui um total de 159.042 postos formais de trabalho, uma queda de 4% nos últimos 12 meses.

Mercado externo – As exportações caíram 35% e as importações cresceram 30%, fazendo com que o saldo registrasse um desempenho negativo de 52,7% no comparativo entre janeiro de 2017 e dezembro de 2016. Em janeiro, Caxias do Sul exportou US$ 49 milhões e importou US$ 21 milhões. Chile, Argentina e Estados Unidos foram os principais destinos das exportações caxienses. Já as importações se originaram da China, Itália e Alemanha. O primeiro item tanto na pauta de exportações como de importações continua sendo os bens de capital.

Cadê a recuperação da economia ? – O desempenho do comércio caxiense apresentou queda significativa de 40,90%, em relação a dezembro/16, contra uma expansão de 6,93% do mês de anterior. Isso demonstra que a ensaiada recuperação da economia ainda está longe de acontecer em termos municipais. A retração atingiu todos os seguimentos, com exceção das livrarias e papelarias que apresentaram um resultado positivo de 6,96%. Todos os demais seguimentos apresentaram quedas, com destaque para o seguimento de vestuário e calçados, que apresentou uma retração de 70,48% no mês. A retração verificada foi decorrente do desempenho do ramo duro que registrou, variação negativa em todos os segmentos.

Segundo o Assessor de Economia e Estatística da CDL, Mosár Leandro Ness, o resultado preocupa, pois em relação a janeiro do ano passado, a queda é de 12,08%. “O resultado reflete as dificuldades do comércio de uma maneira geral ao longo do ano passado. No ramo duro a variação entre dezembro e janeiro de 2017 foi de 39,16% negativo. Em termos reais, descontada a inflação, a queda nas vendas chega a 16 % e no acumulado de doze meses temos um crescimento negativo de 16% contra 9,35% do mês anterior. Temos assim um resultado que volta a preocupar o setor”, explica ele. No ramo duro, em termos nominais, os ramos de Informática e Telefonia com 32,05%, Automóveis, caminhões e autopeças novas com 42,86%; Óticas, Joalherias e Relojoarias com 58,73%, Material de Construção com 47,65%, Material elétrico com 57,96% e Eletrodomésticos, Móveis e Bazar com 32,52%; e Implementos Agrícolas 29,91% apresentaram um desempenho negativo.

Por outro lado, no ramo mole, a variação entre dezembro e janeiro de 2017 foi de 44,90% negativo contra 6,93% positivo do mês anterior. Já em termos reais, descontada a inflação, a variação sob o mesmo período do ano anterior é de 19,39% negativo e no acumulado de doze meses, houve um crescimento negativo de 19,39% superior ao mês anterior, que foi de 15,58%. “Observa-se aqui a perda de dinamismo desse seguimento”, diz Mosár.

No ramo mole, o único seguimento a apresentar variação positiva entre dezembro e janeiro foi o de Livraria e Papelaria com 6,96%. Já os seguimentos de Vestuário e Calçados, com 70,48%, Produtos Químicos com 35,81%, Farmácia com 30,07% apresentaram comportamento negativo.

Inadimplência – As consultas realizadas pelos lojistas junto ao sistema SPC houve um aumento em relação ao mesmo período do ano passado. Em janeiro de 2017 o número total de consultas foi de 51.900 contra 46.140 de janeiro 2016. Em relação a dezembro de 2016 há uma variação positiva de 12,48%. Já as consultas realizadas sobre o cheque, junto ao sistema SPC, apresentaram uma queda. Em janeiro de 2015 ocorreram 1.271 consultas, contra 911 em janeiro 2016. Já em relação a dezembro de 2016, há uma variação positiva de 2,48%.

No acumulado do SPC mais Cheque, o total de consultas apresentou uma redução em relação ao mesmo período do ano passado. Em janeiro de 2016 o número total de consultas foi de 52.705 contra 47.297 de janeiro de 2016, uma variação positiva de 11,43%. Em relação a dezembro de 2016 ocorreu uma variação negativa de 14,93%. Os números apontam para uma redução do número de consultas o que denota uma inflexão no ritmo de crescimento.

A Consulta Balcão do SPC realizado por consumidores sobre o próprio nome ou CPF, apresentou uma redução em relação ao mesmo período de 2015 de 2,69%. O mesmo não ocorreu em relação ao mês anterior, dezembro 2016. Esse resultado registrou um aumento de 8,62%.

Em relação à inclusão de débitos no sistema SPC houve uma redução em relação a janeiro/16 de 15,91%. O mesmo ocorreu em relação ao mês de dezembro/16, com uma queda de 36,43%.

Já as exclusões de débitos aumentaram tanto em relação ao ano anterior em 1,76%, quanto em relação ao mês anterior em 44,93%. As inclusões decheques diminuíram 61,03% em relação ao mesmo período do ano passado e aumentou em relação ao mês anterior em 5,19%. As exclusões de cheques diminuíram 40,96% em relação ao mesmo período do ano anterior e 0,43% em relação ao mês anterior.

As inclusões de CPFs aumentaram em 1,19% em relação ao mesmo período do ano passado e 0,43% em relação ao mês anterior. A análise aqui aponta para um aumento na procura por crédito ao longo do mês, o mesmo não ocorreu com a inclusão de novos débitos que se reduziram. Já as exclusões revelaram um aumento tanto a curto não como a longo prazo. Por outro lado, o número de CPFs também aumentou, pode-se afirmar, que o quadro restrição monetária, continua a restringir e a encarecer a oferta de crédito local.

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