Despesas pessoais, saúde e transportes são os principais motivadores da alta no custo de vida em Janeiro


Mesmo com a desaceleração da alta de preços no segmento de alimentos, o custo de vida na Região Metropolitana aumentou 0,25% no mês de Janeiro/17, aponta estudo da FecomércioSP

Em janeiro, o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo subiu 0,25% ante os 0,45% notados em dezembro. No primeiro mês do ano passado, os preços haviam crescido 0,95%. Essa desaceleração na alta de preços fica mais evidente ao observar a variação acumulada dos últimos doze meses que atingiu 5,85% em janeiro, enquanto que de fevereiro de 2015 a janeiro de 2016, os preços subiram 11,28%, bastante acima do patamar observado neste ano. Os dados são da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Em janeiro, os grupos despesas pessoais (0,77%), saúde (0,58%) e transportes (0,48%) foram os principais motivadores da alta no custo de vida. Vale ressaltar que esses três segmentos somados comprometem 39% do orçamento familiar, em média. Dos nove grupos analisados, apenas o de artigos do lar registrou recuo nos preços (-0,37%).

Já os grupos de alimentação e bebidas e comunicação exerceram exatamente a mesma contribuição de alta no mês para o CVCS, embora tenham subido em proporções distintas. Enquanto o primeiro descreveu alta de 0,13%, comunicação se elevou em 0,59%. Isso se deve ao fato da ponderação dos setores ser distinta: cerca de 22,4% do indicador é do grupo de alimentos e bebidas e 4,27% de comunicação.

Considerando grande parte dos meses de 2016, a assessoria econômica da FecomercioSP pondera que esse desempenho garante alguma folga no bolso dos consumidores, tendo em vista que os alimentos, sozinhos, respondem por praticamente um quarto do orçamento familiar médio.

As classes A, B e C foram as que mais sentiram os aumentos nos preços em janeiro, com altas de 0,34%, 0,27% e 0,25%, respectivamente. Já as classes E e D registraram menos impactos pela alta dos preços e encerraram o mês com variação positiva de 0,14% e 0,11%, respectivamente.

IPV
Com alta de 0,22% em janeiro, o Índice de Preços do Varejo (IPV) sinalizou uma discreta desaceleração, tendo em vista a alta de 0,29% percebida em dezembro. No acumulado de 12 meses, a alta dos produtos foi de 5,60%. Em janeiro de 2016 o IPV registrava variação positiva de 0,92%, acumulando em 12 meses alta de 10,74%.

Dos oito grupos analisados, dois deles registraram variações negativas de preços: Alimentação e bebidas (-0,20%) e Artigos do Lar (-0,42%). O preço do feijão carioca, por exemplo, caiu 17,17% em janeiro apesar de, no acumulado dos últimos 12 meses, ainda registar alta acima da inflação média, de 13,70%. Destaca-se também a queda nos preços dos itens batata inglesa (-10,14%), uva (-8,70%) e tomate (-8,50%).

Com acréscimo de 0,63% em janeiro, o segmento de Transporte ficou com a principal alta no IPV. A maior elevação verificada na atividade foi etanol (3,28%), já que o período é de entressafra da cana de açúcar e, com isso, o volume disponível no mercado tende a reduzir, ocasionando preços mais elevados. As outras alternativas de combustíveis, seguiram a mesma tendência e encerraram o período com alta de 1,66% no óleo diesel e 1,83% na gasolina.

A segunda alta mais relevante foi observada em saúde e cuidados pessoais, com acréscimo de 0,45%. No acumulado em doze meses, o segmento atingiu elevação de 12,1%. Os produtos farmacêuticos foram os que mais subiram (0,75%), tendo destaque as variações percebidas em oftalmológico (5,37%), vitamina e fortificante (2,33%), analgésico e antitérmico (1,79%), antigripal e antitussígeno (1,53%) e anti-inflamatório e antirreumático (1,18%).

IPS
O Índice de Preços de Serviços (IPS) registrou aumento de 0,28% em janeiro, ante a alta de 0,62% em dezembro. O indicador acumulou em doze meses alta de 6,10%, muito abaixo do observado no mesmo período de 2016, quando o IPS assinalava elevação de 11,84%.

Considerando os oito grupos que integram o medidor de preços dos serviços, dois registraram quedas em suas variações mensais: habitação, com queda de 0,15%, e transportes, com tímida redução de 0,05%. Na soma dos 12 meses, o segmento de habitação acumulou alta de 4,40%, resultado bem abaixo dos 19,63% registrados em janeiro passado. Já o setor de transportes acumulou alta de 6,11%, também inferior aos 7,27% registrados em 2016.

Segundo a FecomercioSP, o desempenho dos preços no varejo paulista em janeiro revela a volta da trajetória bem menos pressionada que em 2016, o que é bastante favorável para reduzir a restrição orçamentária a que as famílias vinham se submetendo nos últimos anos. Em fevereiro, a Entidade acredita ser provável que o segmento de educação sinta alguma pressão, contudo, este comportamento é sazonal e costuma ser observado no segundo bimestre do ano, e, em abril, os medicamentos deverão exercer alguma pressão, pois o reajuste da categoria se dará em 31 de março. Os alimentos, entretanto, que chegam a comprometer um quarto do orçamento familiar médio, segundo a Federação devem sofrer ainda com variações climáticas no primeiro trimestre do ano, porém as expectativas da safra deste ano são muito favoráveis e as variações na oferta não deverão provocar alterações significativas de preços no restante do ano.

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