Saúde : Apneia do sono pode causar pressão alta

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Ronco e dificuldades respiratórias são causas conhecidas de insônia e sono de má qualidade. Mas pouca gente sabe que esses problemas podem ir muito além de uma simples sonolência diurna. Cada vez mais comuns, quadros de apneia obstrutiva do sono (AOS) são tidos como a principal causa de acidentes de trânsito nos EUA. Também afetam cada vez mais crianças, acarretando em transtornos como déficit de atenção. Além disso, hoje em dia a AOS está entre as principais causas de doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, arritmias, infartos e insuficiência cardíaca.

“A repetição dos episódios de apneia durante o sono tem como consequência a menor oxigenação do sangue, redundando em danos ao organismo”, diz a cardiologista Samira Kaissar Nasr Ghorayeb.  “Boa parte dos pacientes apresenta histórico de hipertensão arterial e arritmias cardíacas”, informa.

Caracterizada por paradas respiratórias noturnas provocadas pelo estreitamento das vias aéreas, a apneia do sono já afeta cerca de um terço da população mundial. Segundo estudos, 67% dos portadores de apneia do sono apresentam hipertensão arterial. “Em muitos casos de hipertensão, o tratamento da apneia por si só é suficiente para redução e controle da pressão arterial. Com esforço, muitos pacientes conseguem deixar de tomar remédio para a pressão”, diz médica Priscila Paiva.

Crianças com apneia
Ela conta que o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) é multidisciplinar e varia de acordo com a gravidade do caso. A primeira medida é reduzir os fatores agravantes, como excesso de peso, uso de bebidas alcoólicas, calmantes, relaxantes musculares e cigarro, principalmente antes de dormir. Outros fatores que podem causar distúrbios respiratórios durante o sono são obstrução nasal, refluxo gastroesofágico e hábito de dormir de barriga para cima. “É sempre melhor dormir de lado, o ar flui mais facilmente”, ensina.

Se a redução dos fatores agravantes não for suficiente, é possível recorrer a próteses orais que facilitam a passagem do ar. Outra opção de tratamento são os chamados CPAPs, aparelhos que mantêm pressão positiva e contínua sobre as vias aéreas, evitando sua obstrução. Há situações, porém, em que cirurgias são necessárias.

A boa notícia é que, dependendo da gravidade, o paciente não precisa mais dormir uma noite inteira fora de casa, em institutos do sono e demais centros hospitalares especializados, com filas de meses para agendamento do procedimento. Hoje em dia um exame simples pode ajudar no diagnóstico de AOS e na escolha do melhor tratamento. Esse exame pode ser feito através de um aparelho conhecido como Holter Apneia. Dotado de software especializado, esse dispositivo registra toda a atividade cardiovascular durante uma noite de sono,permitindo que o médico detecte a presença ou ausência de episódios de apneia. Em casos severos, pode ser necessário fazer uma polissonografia. “A polissonografia é o exame de excelência na apneia grave, devendo ser realizado em centro clínico especializado”, afirma Samira Ghorayeb.

Nos adultos, cinco ou mais episódios de 10 segundos da suspensão da respiração por hora de sono caracterizam quadros de apneia. Nas crianças, bastam 2 ou 3 segundos de parada respiratória para o sangue dar sinais de falta de oxigênio. Aliás, muitas crianças que apresentam disfunções respiratórias durante o sono acabam erroneamente diagnosticadas como portadoras de déficit de atenção e outros transtornos, passando a tomar remédios psiquiátricos. “Na verdade, tudo o que elas precisam é dormir bem”, finaliza  Priscila Paiva.

Principais causas da apneia obstrutiva do sono
–  Obesidade
–  Uso de álcool, tabaco, relaxantes musculares e calmantes
–  Disfunção na articulação da mandíbula
– Queixo projetado para trás, causando recuo na base da língua
–  Refluxo gastroesofágico
–  Dormir de barriga para cima
–  Sinergia entre esses fatores

Sintomas
Hipertensão, ronco, sono agitado, falta de disposição, sonolência durante o dia, dor de cabeça, perturbação da memória, da atenção e da concentração, tendência a depressão, arritmias cardíacas.

Diagnóstico
O Holter e a polissonografia ajudam a mapear o comportamento respiratório e cardíaco durante o sono, fornecendo dados importantes para fechar o diagnóstico

Tratamento
– Reduzir os fatores risco, como obesidade e uso de bebidas alcoólicas, calmantes, relaxantes musculares e cigarro antes de dormir
– Uso de próteses orais que facilitam a passagem do ar pela laringe
– Uso de CPAPs, aparelhos que mantêm pressão positiva e contínua sobre as vias aéreas
– Cirurgias ou cauterizações

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