Alimentação pode influenciar na saúde do sistema digestivo

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Quem nunca reclamou de uma queimação ou um incômodo estomacal depois de exagerar na comilança? Sintomas como azia e queimação são muito comuns e fazem parte do vocabulário das pessoas, especialmente dos adultos. O cafezinho, a feijoada, a cervejinha… todos conhecemos bem o desconforto causado pela comida que não caiu bem. Mas, quando esses sinais tornam-se frequentes é preciso ficar alerta para doenças que podem prejudicar seriamente a nossa saúde.

Em levantamento realizado pelo Ministério da saúde, as doenças crônicas do trato-gastrointestinal, estão entre as principais causas de morte. A gravidade dessas doenças pode variar muito de acordo com o estilo de vida do indivíduo. Má alimentação, sedentarismo, fumo e álcool são agravantes que podem levar a sérias complicações.

Os principais sinais de problemas no sistema digestivo envolvem uma variedade de sintomas: perda de peso sem razão aparente, dor ou cólicas no abdômen, náuseas e vômitos, inchaço, queimação estomacal, azia, constipação, entre outros. Obviamente alguns sintomas são corriqueiros e decorrentes de situações especificas, como por exemplo o exagero ocasional na alimentação. Porém a repetição do quadro de um ou mais sintomas requer acompanhamento médico afim de determinar uma possível infecção ou doença crônica. Sinais mais severos como fezes com sangue ou secreções devem ser imediatamente observados por um médico especialista.

Doenças gastrointestinais interferem significativamente na absorção de nutrientes importantes como vitaminais e sais minerais, acarretando em outros problemas como anemia, enfraquecimento dos ossos e desidratação. Além disso algumas doenças podem comprometer a ingestão normal de alimentos, restringindo a dieta dos pacientes. “É importante que o indivíduo recorra sempre a um profissional de saúde afim de um diagnóstico preciso e, sob a orientação de um nutricionista, adotando uma dieta adequada às suas necessidades nutricionais e suas condições fisiológicas.” – alerta a nutricionista Marcela Herculani. Veja algumas situações que podem comprometer a absorção de nutrientes em pacientes que sofrem de doenças gastrointestinais:

Não consumir alimentos com o aporte nutricional necessário: por diversos motivos a oferta de alimentos nutritivos pode não ser suficiente, é comum que o paciente esteja numa dieta tão restritiva que não possa variar o cardápio afim de ampliar a oferta nutricional. Sintomas como dor, enjoo ou diarreia podem afetar o apetite. O temor em agravar sintomas também pode fazer com que o indivíduo evite comer e corte determinados alimentos por conta própria. A ajuda médica é a opção mais sensata antes de tomar qualquer decisão restritiva. Somente um profissional poderá elaborar uma dieta com alimentos seguros e apontar quais devem ser evitados afim de aliviar os sintomas ou tratar a enfermidade.

Baixa absorção de nutrientes: inflamações ou infecções intestinais podem prejudicar a absorção dos nutrientes importantes ao organismo. Situações pós cirúrgicas e crescimento anormal de bactérias também podem agravar o quadro. Problemas na produção de enzimas ou da bílis também diminuem a capacidade do organismo de aproveitar os nutrientes vindo da alimentação normal. Casos como esse normalmente requerem a suplementação afim de minimizar os danos ao organismo.

Perda maior de nutrientes: diarreias crônicas e sangramentos no trato intestinal podem acarretar na perda de nutrientes essenciais como potássio, sódio, magnésio, cálcio e ferro. Em alguns casos esses nutrientes são perdidos no intestino e não completam o ciclo digestivo comum.

Demanda maior por nutrientes: quando o organismo está doente ele precisa de muito mais aporte nutricional para se recuperar de infecções, inflamações e outras enfermidades. Se essas enfermidades causam desnutrição e perda de líquidos por exemplo, o paciente precisará de ainda mais nutrientes para reabastecer suas reservas energéticas e fortalecer o sistema imunológico. Crianças podem necessitar de uma oferta ainda maior de nutrientes para garantir seu desenvolvimento sadio.

Medicações: alguns medicamentos prescritos no tratamento de doenças do trato digestivo podem prejudicar a capacidade do organismo em aproveitar os nutrientes dos alimentos. O uso de esteroides, por exemplo, prejudica consideravelmente a absorção de cálcio. Em alguns casos a suplementação é necessária, visto que o tratamento não pode ser suspenso.

Dicas importantes

  • Nunca pule refeições – faça lanches intermediários entre as principais refeições. O ideal é comer 6 porções pequenas e equilibradas ao longo do dia, dessa forma evita-se a fome abrupta e refeições exageradas, que podem sobrecarregar o sistema digestivo. Sobretudo para pessoas com gastrite e úlceras, longos períodos sem se alimentar podem agravar os sintomas de desconforto.
  • Procure sempre alimentos que agradem o seu paladar, dentro da sua dieta permitida. Aprecie lentamente a refeição, quanto mais tempo você mastigar, melhor será o processo de digestão e maior será o prazer durante a alimentação.
  • Programe as refeições antecipadamente. Seguir um cardápio facilita que você não ceda as tentações e inclua alimentos fora da sua dieta. Tenha sempre à mão os alimentos permitidos e faça substituições dentro do possível para não enjoar dos alimentos.
  • Mantenha sempre uma boa hidratação, e em casos de pacientes com baixa aceitação alimentar ou dificuldade de deglutição, procure sempre um nutricionista para verificar a necessidade de uma suplementação.
    Reduzindo os sintomas.

Alguns alimentos devem ser terminantemente evitados por aqueles que sofrem de irritações ou doenças gastrointestinais: gorduras, frituras, processados e carnes gordurosas levam mais tempo para serem digeridas e aumentam a chance de refluxo, azia e queimação, além de serem totalmente proibidos em alguns quadros. A cafeína pode causar irritação na mucosa estomacal, por isso é bom consumir com cautela alimentos como café, chocolates e chás por estimularem o sistema digestivo. Bebidas alcoólicas e gaseificadas são consideravelmente prejudiciais, pois além de irritar causam pressão e dilatação do volume estomacal. Alimentos picantes e cítricos podem aumentar a acidez no sistema digestivo, trazendo desconforto ao paciente. Para finalizar, uma dica valiosa é “Opte por carboidratos complexos, farinhas e massas integrais que possuem maior concent ração de fibras, eles auxiliam na digestão e na manutenção da flora intestinal”. – finaliza a nutricionista Marcela Herculani.