ExpoAgas 2018 : Antropóloga Mirian Goldenberg abordou questões sociais sobre o envelhecimento de homens e mulheres

Mirian Goldenberg na Expoagas 2018
Mirian Goldenberg na Expoagas 2018 – Foto Dani VIllar

Agas Mulher com Mirian Goldenberg

Antropóloga Mirian Goldenberg abordou questões sociais sobre o envelhecimento de homens e mulheres na ExpoAgas 2018

A cultura da velhice – e todas as questões sociais que envolvem o tema – foi o foco da palestra da antropóloga Mirian Goldenberg no Agas Mulher, na tarde de quarta-feira (22.08.18) na ExpoAgas, maior feira do setor supermercadista do Cone Sul. Com o Centro de Convenções da FIERGS, em Porto Alegre/ RS, lotado, a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e colunista da Folha de S. Paulo apresentou os resultados de sua pesquisa, que deu origem ao livro “A bela velhice.” E iniciou com uma afirmação: “há 3 anos convivo com pessoas de 90 a 99 anos e posso afirmar que eles são as pessoas mais felizes do mundo.”

Para dar início, a antropóloga apresentou a curva da felicidade e como cada fase impacta na vida de homens e mulheres. “A curva tem um formato de U. O público das pontas, os mais jovens e os mais velhos, são os mais felizes”, disse. Segundo Mirian, o ponto baixo é aos 45 anos, idade com que mulheres e homens sentem-se mais inseguros. “Para as mulheres, o medo delas é perder a sensualidade, o ‘ser mulher’, tornar-se invisível. Já o homem teme a aposentadoria, o fato de perder o prestígio e o fator ‘provedor da casa’”, afirmou.

A insatisfação da mulher frente o julgamento da sociedade foi muito debatido na palestra. De acordo com as pesquisas realizadas pela antropóloga, a mulher brasileira segue a cultura da soma, no qual acumula funções e compromissos. Para exemplificar, Mirian contou sobre a liberdade que as mulheres possuem, na Alemanha, de fazer escolhas e comparou com as mulheres brasileiras. “Lá, as mulheres escolhem cuidar da casa e dos filhos ou estudar e trabalhar, sem julgamentos. Aqui, as mulheres estudam, cuidam da casa, dos filhos, dos maridos. Se optam por apenas um deles, são julgadas pelas escolhas que fazem”, lembrou. E, para dar início ao tema principal, incentivou uma reflexão: “O que significa envelhecer em uma cultura onde o corpo – magro e sensual – é o capital?”

Durante a palestra, Mírian ressaltou as diferenças entre homens e mulheres em relação à chegada da velhice. Com testemunhos coletados da sua pesquisa realizada com um público de 16 a 99 anos, a antropóloga mostrou as diferentes visões sobre ‘ser velho’. “As mulheres têm medo de envelhecer e, quando envelhecem, descobrem a liberdade”, afirmou. E completou: “antes, elas tinham menos tempo para fazer o que queriam. Depois dos 50, com saúde administrável e com dinheiro que baste, essas mulheres são tão felizes quanto crianças.”

Além de trazer o tema para discussão, a antropóloga ainda ensinou algumas táticas para o público feminino deixar as questões incômodas da velhice de lado e focar na qualidade de vida. Descobrir que tempo é o verdadeiro capital, fazer uma faxina existencial, conquistar liberdade, aprender a dizer não e valorizar as amigas foram algumas das questões destacadas por Mírian. “Tenham projetos de vida, não se preocupem com o que os outros pensam, digam não para tudo o que não querem mais e curtam a presença das amigas”, ressaltou.

Ao final, Mírian abriu o microfone para que a platéia pudesse fazer perguntas e interagir sobre o assunto. E deixou um recado: “Liberdade é a melhor rima para a felicidade!”

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